ONU insiste em negociações diplomáticas para pôr fim à guerra dos EUA contra o Irã
Porta-voz do Secretário-Geral afirmou que nova escalada militar seria catastrófica e defendeu mediação do Paquistão
247 - A ONU defendeu a continuidade da diplomacia em torno do cessar-fogo EUA-Irã, após Donald Trump afirmar que o acordo estaria “por um fio”. O porta-voz adjunto do secretário-geral António Guterres, Farhan Haq, disse que uma nova escalada militar seria catastrófica e destacou o papel do Paquistão como mediador.
De acordo com a Al Jazeera, Haq afirmou que a ONU busca evitar que declarações públicas de qualquer lado contaminem os esforços diplomáticos. “Nós tentamos, ao longo dos anos, em todos os nossos esforços diplomáticos, não ouvir demais a retórica de qualquer lado específico envolvido em negociações. O que queremos fazer é garantir que as próprias partes permaneçam comprometidas com as negociações”, declarou.
Diplomacia como prioridade
O porta-voz da ONU afirmou que a organização deseja que as tratativas prossigam e reconheceu a atuação de Islamabad no processo de mediação. “Certamente, apreciamos o papel que o Paquistão tem desempenhado como mediador, e queremos que os esforços continuem. Um retorno aos combates em larga escala seria, como o secretário-geral disse repetidamente, catastrófico”, acrescentou.
A declaração reforça a posição das Nações Unidas de priorizar canais diplomáticos em meio à incerteza sobre a estabilidade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Haq evitou endossar a leitura feita por Trump e concentrou sua fala na necessidade de manter as partes engajadas em negociações.
Alerta sobre o Estreito de Hormuz
Haq também chamou atenção para o agravamento da situação no Estreito de Hormuz, rota estratégica cuja liberdade de circulação foi mencionada como motivo de preocupação pela ONU. Segundo ele, o cenário já é “insustentável, dada a falta de liberdade de movimento no Estreito de Hormuz”.
A avaliação do porta-voz indica que, para a ONU, a prioridade imediata é impedir que a tensão política e militar leve a uma retomada plena dos confrontos, em um contexto já marcado por restrições à movimentação em uma das passagens marítimas mais sensíveis do mundo.



