Lula deve pedir fim da investigação comercial e falar sobre o Irã em reunião com Trump
Reunião na Casa Branca deve abordar tarifas, guerra com o Irã, minerais críticos e crime organizado
247 - O presidente Lula deve levar ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma pauta centrada no comércio bilateral, na guerra com o Irã e na cooperação contra o crime organizado durante reunião prevista para esta quinta-feira (7), na Casa Branca. As informações são da Folha de S.Paulo.
O governo brasileiro definiu como prioridade o pedido de encerramento das investigações comerciais abertas pelos Estados Unidos contra o Brasil. As apurações, conduzidas com base na chamada seção 301, miram práticas brasileiras que Washington considera injustas e podem resultar em novas tarifas contra produtos nacionais.
Brasil quer evitar novas tarifas dos EUA
Segundo integrantes do governo, Lula deve argumentar que o Brasil já apresentou suas justificativas técnicas e que nenhuma das práticas investigadas causa prejuízo aos Estados Unidos. A avaliação no Palácio do Planalto é que os argumentos brasileiros foram bem recebidos por técnicos norte-americanos.
As investigações tratam de temas como comércio de etanol, desmatamento e funcionamento do Pix. Empresas norte-americanas de cartão de crédito alegam que o Banco Central oferece tratamento preferencial ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, tese rejeitada pelo governo Lula.
O prazo para conclusão das duas apurações termina em julho, o que ampliou a urgência do tema para o governo brasileiro. A preocupação é que, ao fim dos processos, os Estados Unidos voltem a impor barreiras tarifárias ao Brasil.
Lula também deve reforçar que a balança comercial entre os dois países é favorável aos Estados Unidos. No entendimento do governo brasileiro, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro tentaram convencer Washington do contrário por motivações eleitorais.
Guerra com o Irã entra na pauta
Além da pauta comercial, Lula tem afirmado a aliados que pretende tratar com Trump do fim da guerra com o Irã. Segundo um auxiliar, o presidente brasileiro demonstrou preocupação com os impactos econômicos do conflito, especialmente sobre o preço dos combustíveis.
A alta dos combustíveis, impulsionada pela instabilidade internacional, é vista pelo governo como um fator de risco para a economia. Por isso, o tema deve aparecer na conversa entre os dois presidentes ao lado das discussões comerciais e de segurança.
A reunião marcará a primeira visita oficial de Lula à Casa Branca desde que Trump tomou posse no ano passado. O encontro ocorre depois de um período de distensão nas relações entre os dois países.
Relação passou por tensão e reaproximação
A relação entre Brasília e Washington atravessou momentos de forte desgaste. Trump chegou a impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, cancelou vistos de autoridades do país e aplicou sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, com base na Lei Magnitsky.
Depois de telefonemas e de duas conversas presenciais entre Lula e Trump, o governo norte-americano revogou essas medidas. Ainda assim, permanecem abertas as duas investigações comerciais que preocupam o Planalto.
Para o governo brasileiro, o fim dessas apurações seria um passo importante para consolidar a reaproximação bilateral e reduzir o risco de novas medidas protecionistas contra exportações do Brasil.
Minerais críticos também podem ser discutidos
Integrantes do governo brasileiro também se preparam para temas que possam ser levantados por Trump, entre eles a exploração de minerais críticos no Brasil. A expectativa, porém, é que nenhum acordo seja fechado durante a reunião.
Auxiliares de Lula avaliam que uma eventual parceria com os Estados Unidos em torno de terras raras ainda está em fase inicial. Um dos pontos que o Brasil deve apresentar é a necessidade de o Congresso Nacional aprovar uma proposta de regulamentação para a exploração desses minerais.
O tema ganhou importância estratégica em meio à disputa global por cadeias de suprimento ligadas à transição energética, tecnologia e defesa. No caso brasileiro, o governo pretende tratar a questão com cautela, sem assumir compromissos imediatos.
Segurança pública e crime organizado
Na área de segurança, a reunião deve tratar da ampliação da cooperação já existente entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado transnacional. Um dos objetivos do governo brasileiro é evitar que Washington classifique o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas.
O vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou, em entrevista na terça-feira (5), que o Brasil deve apresentar uma proposta de acordo sobre combate ao crime organizado transnacional durante o encontro.
Como demonstração de disposição para ampliar a parceria, o governo brasileiro pretende levar a Trump dados sobre a cooperação aduaneira entre os dois países para apreensão de armas e drogas sintéticas.
Segundo a Receita Federal, entre maio de 2025 e abril de 2026, foi apreendida meia tonelada de armas que saíram dos Estados Unidos. Para o Brasil, esses números reforçam a necessidade de cooperação bilateral sem recorrer à classificação de facções brasileiras como organizações terroristas, medida que poderia trazer impactos negativos à economia nacional.


