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Líbano descarta diálogo com Netanyahu no curto prazo e aponta cessar-fogo como "porta de entrada" para negociações

Autoridades libanesas indicam que mais de 2.100 pessoas morreram no país desde o início das agressões de Israel em março

Fumaça sobe após um ataque aéreo no Líbano, vista do lado israelense da fronteira, em 11 de abril de 2026 (Foto: REUTERS/Amir Cohen)

247 - O presidente do Líbano, Joseph Aoun, não pretende conversar com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no curto prazo, segundo autoridades libanesas ouvidas pela Reuters. A posição foi comunicada à administração dos Estados Unidos antes de uma ligação entre o mandatário libanês e o secretário de Estado, Marco Rubio, realizada nesta quinta-feira (16).

Em nota, a presidência do país árabe informou que o chefe de Estado agradeceu os esforços de Washington para alcançar um cessar-fogo. As declarações ocorrem em meio à escalada do conflito que se estendeu ao território libanês a partir de 2 de março, quando o Hezbollah iniciou ações em apoio ao Irã, levando a uma ofensiva de agressões genocidas israelenses ao Líbano.

Cessar-fogo como condição

O governo libanês sustenta que qualquer negociação direta com Israel deve ocorrer somente após a interrupção dos confrontos. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (16), Aoun afirmou que o cessar-fogo seria a "porta de entrada natural" para conversas diretas.

O presidente também indicou que a retirada das forças israelenses do território libanês seria um passo essencial para consolidar a trégua e permitir o deslocamento das tropas nacionais para o sul do país.

Enquanto isso, o gabinete de segurança de Israel se reuniu na quarta-feira (15) para discutir a possibilidade de um cessar-fogo no Líbano, em meio a pressões internacionais por uma solução diplomática.

Conflito e impacto no território

Os confrontos continuam intensos no sul do Líbano, especialmente na cidade de Bint Jbeil. Segundo autoridades libanesas, Israel buscaria consolidar avanços militares na região antes de qualquer progresso diplomático.

Uma fonte de segurança do Líbano afirmou que um ataque israelense destruiu a última ponte sobre o rio Litani que conectava o sul do país ao restante do território, ampliando o isolamento de áreas afetadas.

O Hezbollah anunciou novos lançamentos de foguetes contra Israel, enquanto sirenes de alerta foram acionadas em cidades do norte israelense. Não houve relatos imediatos de vítimas nesses episódios.

Segundo autoridades libanesas, mais de 2.100 pessoas morreram no país desde o início das agressões de Israel em março, e mais de 1,2 milhão foram deslocadas. O Estado sionista informou que ataques do Hezbollah resultaram na morte de dois civis e 13 soldados israelenses no mesmo período.

Pressões internacionais e cenário diplomático

O governo do Paquistão afirmou que a estabilização do Líbano é essencial para o avanço de negociações relacionadas ao conflito envolvendo o Irã. "A paz no Líbano é essencial para as negociações de paz com o Irã", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Tahir Andrabi.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que busca criar "um pequeno espaço de respiro" entre Israel e Líbano, ao mencionar esforços para aproximar as partes. Autoridades indicam que há pressão de Washington para que Israel avance em direção a um cessar-fogo, embora integrantes do governo estadunidense afirmem que não houve pedido formal nesse sentido.

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