Irã prevê retomada da economia com novo acordo
Teerã afirma que novo acordo deve elevar receitas, aliviar o déficit e fortalecer o câmbio
247 - O Irã prevê uma retomada econômica com novo acordo que, segundo Teerã, deve elevar receitas, aliviar o déficit e fortalecer o câmbio, após resistir à guerra desencadeada por EUA e Israel e manter firmeza nas negociações. Jazeera.
O ministro das Finanças do Irã, Seyed Ali Madanizadeh, afirmou à agência estatal IRNA que o memorando de entendimento permitirá ao país vender petróleo sem restrições, ampliar a entrada de divisas e enfrentar parte das dificuldades fiscais provocadas por sanções, conflitos, cerco e pressão política.
Segundo Madanizadeh, o acordo representa um avanço importante para a economia iraniana porque remove obstáculos à comercialização do petróleo, principal fonte de receitas externas do país. A avaliação do ministro reforça a leitura de Teerã de que a resistência política e diplomática iraniana produziu resultados concretos em meio à pressão externa.
“Com este acordo, as sanções ao petróleo foram suspensas, e podemos vender nosso petróleo sem qualquer restrição e trazer a moeda estrangeira de volta ao país”, disse Madanizadeh.
Firmeza iraniana nas negociações
O governo iraniano apresenta o entendimento como um ponto de inflexão depois de um período marcado por guerra, cerco e pressões políticas. Para Madanizadeh, a retomada das receitas do petróleo pode reduzir uma parcela significativa das preocupações com o déficit orçamentário, um dos principais desafios econômicos enfrentados pelo país.
O ministro também afirmou que o acordo deve facilitar exportações não petrolíferas e ampliar o comércio, o que pode diversificar as fontes de receita externa. A sinalização é relevante porque Teerã busca recompor sua capacidade econômica em um contexto de restrições prolongadas e forte pressão sobre a moeda nacional.
Além do petróleo, Madanizadeh destacou a importância dos recursos iranianos anteriormente bloqueados. Segundo ele, esses fundos pertencem ao Banco Central e sua liberação permitiria à autoridade monetária fornecer moeda estrangeira aos agentes econômicos, com efeitos considerados relevantes sobre o mercado cambial.
Petróleo, câmbio e orçamento
A expectativa do governo é que a volta de receitas externas ajude a estabilizar o câmbio e reduza pressões internas sobre preços e contas públicas. O ministro relacionou a queda das receitas governamentais a dois conflitos, a um cerco e à pressão política registrada em janeiro, fatores que, segundo ele, contribuíram para o aumento dos custos enfrentados pela população iraniana.
A firmeza do Irã nas negociações aparece, nesse cenário, como elemento central da estratégia de Teerã. Ao insistir na suspensão das restrições ao petróleo e na recuperação de receitas externas, o país busca transformar a resistência à pressão militar, econômica e política em ganhos econômicos concretos.
O Irã enfrenta uma crise econômica severa. De acordo com os dados citados pela Al Jazeera, a inflação chegou a 77,2% em maio, o maior nível desde a Segunda Guerra Mundial. Para o governo iraniano, a ampliação das exportações de petróleo, a entrada de divisas e a liberação de fundos bloqueados podem abrir caminho para reduzir pressões sobre o orçamento, fortalecer o câmbio e recompor parte da estabilidade econômica após a guerra desencadeada por EUA e Israel.



