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Denúncias de uso de armas incendiárias reacendem temor de guerra civil no Sudão do Sul​

Human Rights Watch acusa governo de matar civis com bombas incendiárias; oposição pede investigação internacional​

Um homem empurra sua bicicleta com galões de combustível por uma rua em Juba, Sudão do Sul, em 27 de março de 2025.
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247 - A Human Rights Watch (HRW) denunciou que o governo do Sudão do Sul utilizou armas incendiárias improvisadas em ataques aéreos contra áreas civis no estado do Alto Nilo, resultando na morte de quase 60 pessoas, incluindo crianças, e na destruição de infraestrutura essencial. ​

Os ataques ocorreram entre março e abril de 2025, atingindo localidades como Mathiang, Longekuch e Nasir. Em Mathiang, uma ofensiva aérea deixou um morto e oito feridos, além de causar pânico entre os moradores. Em Nasir, ao menos 21 civis, incluindo mulheres e crianças, foram mortos em um bombardeio noturno. ​

Apesar de o Sudão do Sul não ser signatário do protocolo internacional que proíbe o uso de armas incendiárias em áreas povoadas, a HRW considera que tais ações podem constituir crimes de guerra. ​

A oposição, liderada pelo vice-presidente Riek Machar, atualmente sob prisão domiciliar, solicitou uma investigação internacional sobre os supostos abusos cometidos pelo governo. O partido SPLM-IO afirma que a detenção de Machar e os ataques a áreas sob seu controle representam uma violação do acordo de paz de 2018. ​

A escalada de violência entre as forças governamentais e a milícia White Army, associada a Machar, ameaça desestabilizar ainda mais o país. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a situação atual é "sombria e reminiscentes das guerras civis de 2013 e 2016", que resultaram na morte de 400 mil pessoas. ​

A HRW também instou a missão de paz da ONU no Sudão do Sul a estabelecer bases em áreas de alto risco, enfatizando que, sem garantias de segurança, os capacetes azuis não podem operar de forma eficaz. ​

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