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Governo defende meio ambiente como motor do desenvolvimento, afirma ministro

João Paulo Capobianco diz que políticas ambientais integram economia e inclusão social, com foco em bioeconomia e combate ao desmatamento

Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco (Foto: Diego Campos/Secom-PR)

247 - O governo federal tem tratado a agenda ambiental como um eixo estratégico para o desenvolvimento socioeconômico do país, segundo afirmou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, nesta terça-feira (14), ele detalhou ações e políticas públicas voltadas à preservação ambiental aliada ao crescimento econômico. As informações foram divulgadas pela Agência Gov, vinculada à Secretaria de Comunicação Social (Secom).

Durante a entrevista, Capobianco destacou que a ideia de conflito entre conservação ambiental e produção não condiz com a realidade atual. “Hoje se fala muito de uma disputa, de um conflito entre conservação e produção. E isso não procede, porque a conservação ambiental é parte do processo de produção e parte do processo de garantia de qualidade de vida da população”, afirmou.

O ministro também abordou a necessidade de transformar a forma como os benefícios da exploração de recursos naturais são distribuídos. Segundo ele, muitas vezes a produção e exportação não favorecem diretamente as comunidades que atuam na extração desses produtos. Para enfrentar esse cenário, o governo criou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), considerado um marco para o desenvolvimento sustentável, com aporte inicial de R$ 350 milhões do Fundo Amazônia.

Capobianco ressaltou o potencial da biodiversidade brasileira como vetor econômico. “O Brasil tem uma variedade de riquezas que vai desde alimentos até óleos essenciais e plantas medicinais transformadas em medicamentos. E tudo isso tem que beneficiar quem tem esse conhecimento e extrai isso há gerações, como os povos indígenas e as comunidades locais”, disse. Ele completou: “Então agora nós estamos invertendo, para que essas populações sejam os verdadeiros detentores da capacidade de oferecer esses produtos de alta qualidade no mercado nacional e internacional”.

A atuação conjunta com o Ministério dos Povos Indígenas foi classificada como histórica pelo ministro. Ele destacou o papel dessas populações na preservação ambiental. “Eles são os guardiões da floresta, são parceiros natos nossos, são pessoas que lidam no seu cotidiano com a conservação ambiental, garantindo a prestação de serviços ambientais para todos. Portanto, nós temos pautas em comum, atuamos juntos e essa parceria é fundamental”, declarou.

Outro ponto abordado foi o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado durante a COP 30. Somado ao Fundo Amazônia, o mecanismo já mobiliza cerca de R$ 350 bilhões para a transição ecológica. O fundo prevê pagamentos a países em desenvolvimento que mantêm florestas tropicais preservadas, com adesão de mais de 50 nações e perspectiva de investimentos contínuos na Amazônia.

No campo financeiro, o governo também ampliou os recursos destinados à agenda ambiental. Em parceria com o Ministério da Fazenda, foram mobilizados R$ 179 bilhões por meio do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), conhecido como Fundo Clima, e do programa Eco Invest Brasil, com foco na transformação ecológica e no enfrentamento das mudanças climáticas.

Sobre o combate ao desmatamento ilegal, Capobianco destacou avanços recentes. Segundo ele, entre 2022 e 2025, houve redução de 50% na Amazônia e de 32% no Cerrado na supressão de vegetação nativa. “A ação de combate ao desmatamento, ilegal, principalmente, é necessário porque provoca danos na sociedade, provoca expulsão de comunidades, conflitos com povos indígenas e perda da capacidade produtiva. Sem falar que o desmatamento gera uma enorme emissão de gás de efeito estufa”, afirmou.

O ministro ainda reforçou a importância da cooperação entre União, estados e municípios para a eficácia das políticas ambientais, alinhada à estratégia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como exemplo, citou a criação do Parque Nacional do Albardão, no Rio Grande do Sul, considerada a maior unidade de conservação fora da Amazônia, estabelecida em parceria entre diferentes entes federativos.