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Itaipu: o gigante energético que simboliza integração e soberania na América do Sul

Inaugurada em 5 de maio de 1984, hidrelétrica binacional entre Brasil e Paraguai tornou-se um dos maiores feitos da engenharia mundial

Itaipu: o gigante energético que simboliza integração e soberania na América do Sul (Foto: Brasil 247)

247 – A Usina Hidrelétrica de Itaipu, um dos maiores símbolos da engenharia mundial e da cooperação entre nações, foi oficialmente inaugurada em 5 de maio de 1984, na fronteira entre Brasil e Paraguai. Construída ao longo do rio Paraná, a obra monumental não apenas redefiniu os limites da engenharia civil no século XX, como também consolidou um modelo estratégico de integração regional e soberania energética na América do Sul.

Resultado de um tratado firmado em 1973 entre os dois países, durante um período de regimes militares, Itaipu nasceu em meio a tensões geopolíticas, disputas por recursos naturais e a necessidade crescente de expansão da oferta de energia elétrica. A decisão de construir a hidrelétrica naquele ponto específico do rio Paraná envolveu negociações complexas, especialmente com a Argentina, que também tinha interesses na bacia do Prata.

Um feito sem precedentes na engenharia

A construção de Itaipu mobilizou dezenas de milhares de trabalhadores e exigiu soluções técnicas inéditas. Foram escavados mais de 50 milhões de metros cúbicos de terra e rocha, e utilizados cerca de 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto — volume suficiente para construir diversas cidades de porte médio. O desvio do rio Paraná, uma das etapas mais desafiadoras da obra, foi realizado em tempo recorde, permitindo a construção da barragem principal.

Com 20 unidades geradoras e capacidade instalada de 14.000 megawatts, Itaipu já foi a maior usina hidrelétrica do mundo em geração acumulada, sendo posteriormente superada apenas pela chinesa Três Gargantas. Ainda assim, mantém-se como uma das mais eficientes do planeta, com recordes sucessivos de produção de energia limpa.

Os grandes números de Itaipu

Energia para dois países

Itaipu é responsável por cerca de 10% de toda a energia consumida no Brasil e aproximadamente 85% da energia utilizada no Paraguai, o que evidencia sua importância estratégica para ambos os países. A energia gerada é dividida igualmente entre os dois, conforme estipulado no tratado binacional, embora o Paraguai historicamente utilize apenas uma parte de sua cota, vendendo o excedente ao Brasil.

Esse modelo, no entanto, tem sido alvo de debates e revisões ao longo dos anos. Em 2023, Brasil e Paraguai avançaram em negociações para revisar os termos financeiros do tratado, especialmente após a quitação da dívida de construção da usina, o que abre espaço para novas condições mais equilibradas e vantajosas para ambos os lados.

Integração regional e desenvolvimento

Mais do que uma usina, Itaipu representa um projeto de integração regional. Sua construção impulsionou o desenvolvimento econômico do oeste do Paraná e do leste paraguaio, transformando cidades como Foz do Iguaçu e Ciudad del Este em polos urbanos dinâmicos.

Além disso, a usina tornou-se referência mundial em sustentabilidade e responsabilidade socioambiental. Ao longo das décadas, Itaipu implementou diversos programas de preservação ambiental, recuperação de áreas degradadas e apoio a comunidades locais, consolidando-se como um modelo de gestão integrada entre produção de energia e cuidado com o meio ambiente.

Desafios históricos e críticas

Apesar de seus méritos, a construção de Itaipu também carrega controvérsias. A formação do reservatório implicou o alagamento de vastas áreas, incluindo as Sete Quedas — um dos maiores conjuntos de quedas d’água do mundo — e o deslocamento de milhares de pessoas, especialmente comunidades rurais e indígenas.

Esses impactos geraram críticas e debates que persistem até hoje, reforçando a necessidade de modelos mais justos e sustentáveis em grandes projetos de infraestrutura.

Um legado para o futuro

Quatro décadas após sua inauguração, Itaipu continua sendo um pilar da matriz energética brasileira e um exemplo de cooperação internacional. Em um mundo que busca alternativas sustentáveis diante da crise climática, a hidrelétrica reafirma sua relevância como fonte limpa e renovável de energia.

Ao mesmo tempo, o futuro de Itaipu passa por novos desafios: modernização tecnológica, revisão de acordos bilaterais e adaptação às mudanças no cenário energético global. Ainda assim, seu legado permanece intacto como uma das maiores realizações da engenharia humana e um símbolo da capacidade de integração entre povos em torno de objetivos comuns.

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