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Em um mundo turbulento, diplomacia da China se afirma como força de estabilidade global

Atuação internacional intensa no início de 2026 reforça parcerias, previsibilidade econômica e defesa da cooperação multilateral

Sede do Ministério das Relações Exteriores da China (Foto: CGTN)

247 - Menos de duas semanas após o início de 2026, o cenário internacional já se mostra marcado por tensões, incertezas e um fluxo constante de notícias negativas. Conflitos persistentes, disputas comerciais e alinhamentos geopolíticos rígidos alimentam um clima de ansiedade global. Ainda assim, esse retrato não esgota a complexidade do momento atual, nem explica todos os movimentos em curso no tabuleiro internacional.De acordo com editorial publicado pelo Global Times, a diplomacia da China tem se destacado como um contraponto a esse ambiente turbulento. 

Apenas nas primeiras semanas do ano, uma sequência de encontros internos de alto nível e visitas internacionais do ministro das Relações Exteriores chinês envolveu países do Nordeste Asiático, Sul da Ásia, Europa, América do Norte e África, sinalizando uma atuação diplomática com alcance e intensidade incomuns para o período.

A agenda diplomática traçada por Pequim desde o início do ano evidencia um eixo central claro: o aprofundamento de parcerias globais baseadas na igualdade, no benefício mútuo e na defesa da equidade e da justiça internacionais. Ao priorizar ações concretas, a China busca projetar previsibilidade e estabilidade em um contexto internacional marcado pela fragmentação.

A política de vizinhança segue como prioridade central. Logo nos primeiros dias de janeiro, interações de alto nível com o Paquistão e a Coreia do Sul estabeleceram o tom da diplomacia regional, com foco na estabilização das relações, na construção de confiança e na ampliação da cooperação. Em 3 de janeiro, uma delegação paquistanesa esteve na China para a Sétima Rodada do Diálogo Estratégico entre os ministros das Relações Exteriores dos dois países, encontro que também abriu as comemorações pelos 75 anos de relações diplomáticas bilaterais. A parceria estratégica permanente entre China e Paquistão é apontada como um fator relevante de estabilidade regional e internacional.

No dia seguinte, 4 de janeiro, o presidente sul-coreano Lee Jae-myung iniciou uma visita oficial à China. Durante a viagem, os dois países assinaram 15 documentos de cooperação e divulgaram uma mensagem conjunta de oposição ao protecionismo e de defesa dos resultados da Segunda Guerra Mundial. O gesto foi interpretado como um novo marco nas relações sino-coreanas após quase nove anos sem visitas de Estado, além de uma contribuição direta para a paz e a estabilidade no Nordeste Asiático.

A diplomacia chinesa, no entanto, não se limita ao entorno regional. Em 4 de janeiro, o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, chegou à China com uma agenda voltada ao alinhamento de estratégias de desenvolvimento em setores emergentes, como inteligência artificial, economia digital e indústrias farmacêutica e de saúde. Como membro relevante da União Europeia e futuro detentor da presidência rotativa do bloco no segundo semestre, a Irlanda manifestou disposição em desempenhar um papel construtivo no fortalecimento das relações entre China e União Europeia.

Na América do Norte, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou visita à China ainda nesta semana, movimento que reflete o aquecimento das relações bilaterais e o reconhecimento, por parte da comunidade internacional, do papel do mercado chinês aberto e dos benefícios associados a um desenvolvimento econômico estável.

O continente africano também ocupa posição estratégica na política externa chinesa. Em 2026, completam-se 70 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e países da África. Nesse contexto, o ministro das Relações Exteriores da China realizou visitas à Etiópia, à Tanzânia e ao Lesoto. Este último, fortemente impactado por tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos, tem se beneficiado do regime de “tarifa zero” adotado pela China, medida que reflete o compromisso chinês de apoio aos países em desenvolvimento.

Analistas ocidentais citados pelo Global Times avaliam que o mundo atravessa um período de crescente desordem, marcado pela formação de “pequenos círculos”, confrontos entre blocos e pela tendência de algumas grandes potências de sobrepor o direito interno ao direito internacional. Em contraste, a diplomacia chinesa tem enfatizado a gestão de seus próprios desafios internos enquanto oferece oportunidades ao mundo por meio de um modelo de desenvolvimento de alta qualidade.

O ano de 2026 marca também o início do 15º Plano Quinquenal da China. Nas últimas semanas, diversos veículos internacionais de grande circulação divulgaram projeções positivas para a economia chinesa, impulsionadas por políticas voltadas à expansão da demanda interna e à aceleração da abertura econômica em alto nível. A combinação entre estabilidade social e previsibilidade econômica é apontada como uma das bases centrais da confiança que sustenta a atuação diplomática do país.

Embora conflitos e crises sigam presentes em diferentes regiões, a visão chinesa parte do princípio de que seu próprio desenvolvimento está profundamente interligado ao desenvolvimento global. A percepção de que a prosperidade da China depende da prosperidade do mundo — e vice-versa — tem orientado iniciativas diplomáticas que buscam reforçar a cooperação e reduzir assimetrias.

As ações adotadas no início de 2026 são apresentadas como exemplos concretos da defesa de uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade e de um novo modelo de relações internacionais. Ao afirmar que a justiça deve prevalecer sobre interesses imediatos, a diplomacia chinesa sinaliza que seu processo de modernização não seguirá trajetórias históricas de pilhagem ou expansão, mas buscará alinhar os interesses do povo chinês aos dos demais povos, em um cenário internacional cada vez mais complexo e interdependente.

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