História de adolescente que nadou 4 horas no mar para salvar sua família comove o mundo
“Eu não me achei um herói — eu apenas fiz o que fiz”, disse Austin Appelbee
247 - Um adolescente australiano de 13 anos protagonizou uma travessia extrema ao nadar por cerca de quatro horas para buscar ajuda depois que sua família foi arrastada para longe da costa durante um passeio no mar, na Austrália Ocidental. Austin Appelbee deixou a mãe, Joanne, e os irmãos, Beau, de 12 anos, e Grace, de oito, agarrados a pranchas de stand-up paddle e seguiu em direção à praia para acionar o resgate.
O relato foi feito à BBC, que entrevistou a família após o resgate. Ao descrever a decisão que tomou, o garoto afirmou: “Eu não me achei um herói — eu apenas fiz o que fiz”. Segundo a emissora britânica, a travessia do adolescente foi considerada “sobre-humana” por socorristas que participaram da operação.
O que começou como um dia comum de férias na região de Geographe Bay terminou em um calvário de cerca de dez horas no mar. A família brincava com duas pranchas e um caiaque em águas rasas quando o vento aumentou repentinamente e a situação saiu do controle. “O vento aumentou e a situação piorou”, contou Joanne. “Perdemos os remos e fomos levados para mais longe... Tudo deu errado muito, muito rápido.”
Com o grupo sendo empurrado para mar aberto, Joanne percebeu que alguém precisava buscar ajuda, mas não podia deixar os dois filhos menores sozinhos. Austin pegou o caiaque e tentou retornar à praia, sem saber que a embarcação estava danificada e fazia água. “Ele [o caiaque] começou a virar, e em seguida eu perdi um remo e soube que estava em perigo”, lembrou o garoto. “Comecei a remar com o braço.”
Em um momento, o adolescente ainda conseguiu avançar um pouco, mas o caiaque virou definitivamente. Agarrado à embarcação, Austin decidiu abandonar o equipamento e seguir a nado. “A situação estava ficando perigosa — eu já estava na água há algumas horas.” Ele havia perdido de vista a família, enquanto Joanne e as crianças também já não conseguiam enxergá-lo, com as ondas aumentando e a visibilidade piorando ao longo da tarde.
Todos usavam coletes salva-vidas, mas não tinham comida nem água. Joanne acreditou, por um período, que o filho pudesse não ter sobrevivido. “Eu presumi que Austin tivesse chegado muito mais rápido do que realmente chegou”, disse. “Conforme o dia avançava, nenhum barco aparecia e ninguém vinha nos resgatar. ‘Se ele não conseguiu, o que eu fiz? Tomei a decisão errada? E alguém vai vir salvar meus outros dois filhos?’”
Já Austin percorreu os últimos quilômetros nadando. Em determinado momento, decidiu até abandonar o próprio colete, por sentir que ele não ajudava no deslocamento. Durante cerca de duas horas finais, disse que se manteve em movimento com orações, músicas e “pensamentos felizes”. “Eu estava pensando na minha mãe, no Beau e na Grace.” “Eu também estava pensando nos meus amigos e na minha namorada — tenho um grupo de amigos muito bom.”
Quando finalmente alcançou a praia, o adolescente descreveu a sensação de incredulidade. “Quando botei o pé na praia, pensei: como é que estou em terra firme agora? Será que estou sonhando?” Logo em seguida, veio a urgência: a família ainda estava no mar. Por volta das 18h no horário local, ele encontrou a bolsa da mãe e conseguiu ligar pedindo ajuda.
A ligação acionou uma grande operação de busca, informou a polícia. Exausto, Austin desmaiou após o telefonema e foi levado ao hospital. Ainda sem notícias da mãe e dos irmãos, conseguiu ligar para o pai, chorando, sem saber se eles estavam vivos. Minutos depois, recebeu a confirmação de que haviam sido encontrados. “Foi um momento que nunca vou esquecer”, contou.
No mar, Joanne lutava para manter os filhos menores juntos, já com frio e no escuro. Ela só soube que Austin tinha sobrevivido quando avistou o barco de resgate. Mesmo assim, o momento foi tenso, porque as crianças caíram na água e ela tentou alcançá-las. “Foi um verdadeiro pesadelo”, disse.
De volta à terra firme, todos foram atendidos no hospital com ferimentos leves. O mesmo paramédico que havia socorrido Austin pôde confirmar à mãe que ele também estava vivo. Dias depois, o garoto já havia voltado à escola, ainda com dores nas pernas e usando muletas.
Apesar da repercussão, Austin insiste que não se vê como herói e define o que viveu como uma “batalha difícil”. Ele prefere elogiar a “adorável equipe da ambulância” e a “resposta realmente rápida” do serviço de emergência. Para os socorristas, porém, o feito foi extraordinário. O comandante do Grupo de Resgate Marítimo Voluntário de Naturaliste, Paul Bresland, descreveu os esforços do adolescente como “sobre-humanos”. Já o policial James Bradley afirmou que as ações do garoto “não podem ser elogiadas o suficiente — sua determinação e coragem acabaram salvando a vida de sua mãe e irmãos”.