Família de adolescente morto por Pedro Turra desmente versão de briga por chiclete: "emboscada cruel"
O caso ganhou repercussão nacional pela gravidade das acusações e por envolver um piloto da Fórmula Delta, categoria de entrada do automobilismo brasileiro
247 - A família do adolescente Rodrigo Castanheira, morto aos 16 anos em Brasília, acusa o piloto Pedro Turra de ter planejado uma “emboscada cruel” que terminou com a morte do jovem. A denúncia foi feita pelo advogado dos parentes da vítima, em nota divulgada neste domingo (8), um dia após a confirmação da morte cerebral do adolescente, que estava internado desde o fim de janeiro. As informaçõess]ao do UOL, em reportagem assinada por Caio Spechoto. O caso ganhou repercussão nacional pela gravidade das acusações e por envolver um piloto da Fórmula Delta, categoria de entrada do automobilismo brasileiro.
Em nota, o advogado da família, Albert Halex, afirmou: "A vida de Rodrigo foi brutalmente interrompida por uma emboscada cruel, orquestrada por Pedro Turra e seus comparsas, que agiram de forma covarde e premeditada". No mesmo texto, ele acrescentou: "A situação que levou a esse trágico desfecho foi motivada por desentendimentos entre adolescentes, onde um deles, covardemente, chamou Turra para executar o que não tinha coragem de fazer por conta própria".
A defesa de Pedro Turra, por sua vez, adotou cautela diante da repercussão. O advogado Eder Fior afirmou que não faria comentários "em respeito ao luto e total consternação de nossa parte". Turra está preso preventivamente desde 30 de janeiro. Ele havia sido detido em flagrante após a briga, mas foi solto no dia seguinte após pagar fiança de R$ 24 mil, antes de ter a prisão preventiva decretada.
A agressão que levou Rodrigo Castanheira à internação ocorreu em 23 de janeiro. O Hospital Brasília Águas Claras informou, por meio de nota, que a morte cerebral foi diagnosticada no sábado (7). "Apesar de todos os esforços da equipe médica, o quadro evoluiu para a perda completa e irreversível das funções cerebrais", afirmou a instituição.O adolescente foi enterrado na tarde deste domingo (8) no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, em Brasília.
Cerca de 300 parentes e amigos acompanharam a cerimônia, que contou também com a presença da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP).Segundo relato atribuído a Turra em depoimento à Polícia Civil, divulgado pelo portal g1, a confusão teria começado após uma brincadeira com chiclete. O piloto disse que ele e amigos costumam jogar chiclete em outras pessoas e que, ao atingir um amigo da vítima, a situação saiu do controle e virou briga. Ainda de acordo com essa versão, ele tentou se afastar do adolescente, que continuaria tentando agredi-lo, e acabou dando um empurrão. A queda fez com que Rodrigo batesse a cabeça no chão e sofresse traumatismo craniano.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Turra pediu desculpas à vítima e à família. "Nunca imaginei que isso ia acontecer, não tenho palavras para descrever o quão arrependido eu estou", disse. Em outro trecho, afirmou: "Quando aconteceu a briga eu fui para casa achando que estava tudo bem comigo e com ele porque nós dois saímos andando". E completou: "Se eu soubesse que ele estava machucado desse jeito eu nunca teria abandonado, estaria lá para ajudar ele, socorrer ele".
A organização da Fórmula Delta anunciou, também em nota nas redes sociais, o desligamento de Turra do quadro de pilotos da temporada. Segundo a categoria, a medida já estava em andamento antes do caso. "Reafirmamos que a Fórmula Delta não compactua com qualquer tipo de violência", diz o comunicado.
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil do Distrito Federal. A corporação informou que cumpriu mandados de busca e apreensão nas regiões do Park Way e de Águas Claras, bairros de classe média alta da capital. "As ordens judiciais foram cumpridas sem intercorrências", afirmou a polícia. Em seguida, acrescentou: "Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, foram localizados e apreendidos objetos que serão submetidos à perícia e analisados no curso das investigações". A nota conclui: "As investigações seguem em andamento, e outras informações serão divulgadas no momento oportuno, respeitado o sigilo legal".
Enquanto a apuração avança, o caso opõe duas versões: de um lado, a família que sustenta a tese de ataque planejado; de outro, a defesa do piloto, que aponta para uma briga que teria terminado de forma trágica e afirma que o acusado está arrependido.

