A caneta emagrecedora paraguaia que deixou mineira na UTI em estado grave
De acordo com relatos da família, a auxiliar administrativa foi internada inicialmente com fortes dores abdominais
247 - Uma mulher de 42 anos está internada em estado grave em Belo Horizonte após apresentar complicações severas relacionadas ao uso de uma caneta emagrecedora vendida de forma ilegal e sem indicação médica. A paciente, identificada como Kellen Oliveira Bretas Antunes, está hospitalizada desde dezembro, e o quadro de saúde inspira cuidados.As informações foram divulgadas inicialmente pelo g1.
Segundo familiares, Kellen utilizou o medicamento, de origem paraguaia, sem prescrição médica e fora dos canais oficiais de comercialização autorizados no Brasil.
De acordo com relatos da família, a auxiliar administrativa foi internada inicialmente com fortes dores abdominais. Com a evolução do quadro, passou a apresentar complicações neurológicas graves. A principal suspeita dos médicos é de que ela tenha desenvolvido uma síndrome que compromete a musculatura e os movimentos do corpo, além da fala e do funcionamento de órgãos vitais.
“Em um primeiro momento ela foi internada com muita dor abdominal, e foi comprovada a intoxicação medicamentosa. Meu pai pegou a ampola aqui em casa, levou para o [Hospital] João XXIII para fazer a análise, e lá eles não conseguiram fazer a análise porque era um medicamento do Paraguai”, relatou Dhulia Antunes, filha de Kellen.
Especialistas alertam que nem todas as chamadas canetas emagrecedoras são autorizadas para venda no país. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), produtos não regulamentados representam risco elevado, pois não há garantia sobre procedência, composição, eficácia ou segurança. Há ainda a possibilidade de que o conteúdo da caneta não corresponda ao princípio ativo informado no rótulo.Embora esses medicamentos possam ser indicados no tratamento da obesidade quando prescritos por médicos, o uso indiscriminado e a compra por meios não oficiais podem resultar em intoxicações e efeitos colaterais graves.
“Toda vez que você ingere um medicamento que você não sabe a procedência, pode conter tudo ali dentro. Essas canetas, a gente sabe que existe um todo um processo de produção delas, e às vezes você compra uma que não teve todo o cuidado necessário para a segurança e a eficácia do medicamento”, explicou o endocrinologista Márcio Lauria.O médico reforça que a forma mais segura de adquirir esse tipo de medicação é por meio de farmácias autorizadas. “O ideal é você comprar na farmácia. Essas clínicas que manipulam esses medicamentos, que fazem de uma maneira diferente, a gente não recomenda isso, justamente porque quebra o processo de toda a confiabilidade de produção da medicação”, afirmou.
Em nota, a Anvisa informou que a fiscalização de clínicas e estabelecimentos cabe às vigilâncias sanitárias municipais. Já a Prefeitura de Belo Horizonte declarou que, ao identificar irregularidades na venda ou aplicação de medicamentos, a Vigilância Sanitária realiza apreensões, aplica multas e pode interditar os locais.
Segundo o município, as ações de fiscalização incluem a verificação da procedência e autenticidade dos produtos, análise dos rótulos, condições de armazenamento e a habilitação dos estabelecimentos para uso e aplicação de medicamentos.
A Vigilância Sanitária também destacou a importância de a população denunciar práticas suspeitas ou irregulares por meio dos canais oficiais da prefeitura, como o portal de serviços e o telefone 156.
O caso de Kellen reacende o alerta das autoridades de saúde sobre os riscos da automedicação e do uso de produtos importados sem registro no Brasil, especialmente aqueles associados ao emagrecimento rápido, frequentemente comercializados de forma clandestina.