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Muricy Ramalho deixa coordenação de futebol do São Paulo após crise interna

Ex-treinador cita motivos médicos ao se desligar do cargo em meio a turbulência política no clube

Muricy em sua última passagem pelo São Paulo (Foto: Luis Mauro Queiroz)

247 - Muricy Ramalho deixou o cargo de coordenador técnico de futebol do São Paulo após apresentar, na tarde de sexta-feira (23), seu pedido de demissão ao presidente do clube, Harry Massis Junior. Aos 70 anos, o ex-treinador exercia a função desde 2021 e apontou razões médicas para justificar a decisão, depois de ter sido submetido recentemente a uma cirurgia no joelho direito e diante da necessidade de um novo procedimento cirúrgico no joelho esquerdo.

Além das questões de saúde, pessoas próximas ao dirigente indicam que o ídolo tricolor também demonstrava desgaste e descontentamento com o atual cenário institucional do clube do Morumbi. Muricy construiu uma trajetória marcante no São Paulo como jogador e treinador e retornou ao clube no início do primeiro mandato do então presidente Julio Casares, com a missão de fortalecer a gestão do futebol.

A saída do coordenador ocorre em meio a um período de intensa instabilidade política no São Paulo. Julio Casares, que havia sido reeleito presidente, enfrentava um processo de impeachment e renunciou ao cargo na última quarta-feira (21), após ter sido afastado pelo Conselho Deliberativo na semana anterior. Estava prevista uma votação geral dos associados para decidir sobre sua permanência, mas o dirigente optou por antecipar a decisão e deixar a presidência.

A renúncia coincidiu com uma operação da Polícia Civil de São Paulo que apura um suposto esquema de venda ilegal de camarotes para shows realizados no estádio do Morumbi. Entre os alvos da investigação está Mara Casares, ex-mulher de Julio Casares, que atuou como diretora do clube. As denúncias envolvendo os camarotes serviram de base para o pedido de impeachment protocolado pela oposição em dezembro.

Com a saída definitiva de Casares, Harry Massis Junior, então vice-presidente, assumiu a presidência do São Paulo. Ele havia rompido com a coalizão que sustentava a antiga gestão, passou à oposição e votou a favor do impeachment. O empresário de 80 anos ocupava o cargo de forma interina desde a semana passada e, com a renúncia, tornou-se presidente efetivo até o fim de 2026, quando se encerraria o mandato original.

A nova gestão, no entanto, começa sem um de seus principais símbolos no futebol. A saída de Muricy Ramalho encerra um ciclo marcado pela tentativa de reorganização do departamento esportivo em meio a sucessivas crises políticas e administrativas no clube.

Pesquisas sobre Muricy explodem online

Dados do Google Trends mostram aumento repentino de buscas pelo nome do ex-dirigente são-paulino. 

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