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Ibrachina surpreende na Copinha e expõe bastidores de projeto milionário

Clube criado na pandemia elimina gigantes, chega à semifinal e revela estrutura financiada por família ligada ao comércio popular paulista

Ibrachina surpreende na Copinha e expõe bastidores de projeto milionário (Foto: Reprodução/Instagram)

247 - O Ibrachina Futebol Clube se consolidou como a grande surpresa da Copinha ao alcançar a semifinal da edição de 2025 após eliminar adversários tradicionais do futebol brasileiro de base. Em uma campanha marcada por resultados expressivos e atuações consistentes, o time paulista deixou pelo caminho Atlético-MG, Internacional e Palmeiras e agora enfrenta o São Paulo por uma vaga na final do torneio.

Na primeira fase da competição, o Ibrachina terminou na liderança do Grupo 30, com sete pontos conquistados. A equipe venceu o Ferroviário-CE, superou o Bangu-RJ e empatou com o Santo André, registrando oito gols marcados e apenas dois sofridos. O desempenho reforçou a imagem de um projeto competitivo, mesmo com poucos anos de existência.

A boa campanha na Copinha é consequência direta do trabalho desenvolvido nas categorias de base. Na temporada anterior, o clube foi vice-campeão paulista sub-17, perdendo a final para o Sfera FC, outro projeto emergente do futebol formador. Além disso, o Ibrachina passou a ser considerado a sexta melhor base sub-20 do estado de São Paulo, ficando atrás apenas do Novorizontino e dos quatro grandes clubes paulistas.

O projeto esportivo surgiu durante a pandemia de Covid-19, período em que boa parte do futebol de base brasileiro teve suas atividades interrompidas. Mantendo treinamentos e peneiras dentro dos protocolos sanitários, o Ibrachina conseguiu atrair atletas que atuavam em clubes tradicionais como Portuguesa, São Caetano, São Bernardo e até o Palmeiras. A continuidade das atividades em um cenário de paralisação geral foi decisiva para acelerar o desenvolvimento técnico da equipe.

O clube tem origem em um projeto social ligado ao Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina), referência direta presente no nome e nos símbolos da equipe. Os mascotes — a arara e o dragão — representam as culturas brasileira e chinesa. Sediado no bairro da Mooca, na zona leste de São Paulo, o Ibrachina atende atletas das categorias sub-15, sub-17 e sub-20, além de crianças de comunidades como Heliópolis e São Mateus, em uma estrutura que inclui arena e centro de treinamento próprios.

O presidente do clube é o empresário Henrique Law, filho de Law Kin Chong e Miriam Law, nomes citados em investigações conduzidas pela CPI da Pirataria da Câmara Municipal de São Paulo. A comissão, que atuou entre 2021 e 2023, apurou práticas como evasão fiscal, contrabando e comércio irregular de produtos em regiões como a rua 25 de Março, Brás e Pari. Segundo os relatórios, o casal seria proprietário ou administrador de 27 shoppings de comércio popular na capital paulista.

Law Kin Chong, nascido em Hong Kong, chegou a ser preso entre 2004 e 2007 por corrupção ativa e voltou a ser detido em 2008 pelos crimes de contrabando e descaminho, de acordo com registros da Polícia Federal. Em investigações parlamentares anteriores, foi descrito como um dos maiores contrabandistas do país. Os relatórios das CPIs não representam condenações judiciais, mas reúnem fatos, histórico e evidências levantadas durante os trabalhos legislativos.

Henrique Law afirma que os pais não têm participação no projeto esportivo e nega que os recursos investidos no clube tenham relação com os negócios da família, que controla a loja Empório Daruma, patrocinadora máster do Ibrachina. Sobre os investimentos na estrutura, o dirigente evita detalhar valores, mas destaca a busca por retorno esportivo.

“A questão de investimento é relativo. A gente trabalha bastante visando um retorno com resultado positivo com a performance dos meninos, mas isso é uma questão que a gente consegue avaliar um pouco melhor com esse retorno que estamos imaginando”, afirmou. Questionado sobre a participação do pai, foi categórico: “Não, não. Isso seria apenas uma coisa minha mesmo”.

Atualmente, o Ibrachina concentra seus esforços exclusivamente no futebol de base, embora a profissionalização esteja nos planos de médio prazo. “Hoje, somos um clube formador apenas. Lógico que futuramente a gente quer dar um voo um pouco mais alto e estamos almejando sim nos profissionalizar”, projetou Law.

Caso avance para o futebol profissional, o clube teria de iniciar pela quinta divisão do Campeonato Paulista, competição que impõe limite de idade de 23 anos, o que facilitaria o aproveitamento de atletas do sub-20. O Ibrachina chegou a tentar uma parceria com o Juventus, tradicional clube da Mooca, como alternativa para ingressar no profissional, mas a proposta foi recusada, e o Juventus optou posteriormente pela transformação em SAF.

Repercussão nacional após feitos na Copinha

Dados do Google Trends demonstram aumento de buscas pelo clube paulista de base após as simbólicas vitórias no torneio de base.

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