“Lula 4 pode ser mais ousado e histórico que o atual governo", afirma Paulo Nogueira Batista
Economista diz que Lula poderá deixar legado histórico se romper com a política de acomodação no próximo mandato
247 - Em entrevista à TV 247, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. afirmou que um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ser mais ousado e transformador do que o atual governo. Para ele, o cenário político e internacional pode abrir espaço para um Lula menos conciliador e mais disposto a realizar mudanças estruturais no país.
“O Lula 4 pode ser mais do mesmo, mas também pode ser um governo mais ousado do que o Lula 3”, declarou.
Segundo Paulo Nogueira, um novo mandato representaria a última oportunidade de Lula construir um legado histórico sem as limitações eleitorais dos governos anteriores.
“Esse será o mandato que deixará sua marca definitiva”, afirmou. “A pergunta é se ele fará apenas mais um governo de acomodação ou um governo capaz de realizar mudanças históricas.”
O economista comparou o potencial de um eventual Lula 4 aos grandes ciclos de transformação promovidos por Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Na avaliação dele, o presidente teria condições políticas mais favoráveis para adotar uma agenda nacional-desenvolvimentista mais ambiciosa.
Paulo também criticou o que considera excesso de moderação e acomodação no atual governo. Segundo ele, parte do campo progressista ficou frustrada com o desempenho da atual gestão.
“O governo Lula 3 decepcionou muita gente do campo progressista”, afirmou. “Falta uma equipe mais ofensiva, mais comprometida com a mudança.”
Ele disse ainda que Lula precisa rever a composição política do governo caso dispute e vença novamente as eleições presidenciais.
“Não se pode infestar o governo de adversários ou de pessoas sem compromisso com mudanças”, declarou. “O time atual está escalado para jogar por empate.”
Durante a entrevista, Paulo Nogueira também avaliou que o ambiente político na América Latina começa a mudar favoravelmente para governos progressistas. Ele citou as dificuldades enfrentadas pelo presidente argentino Javier Milei, a crise política na Bolívia e o fortalecimento de setores de esquerda em países como Peru e Colômbia.
“O ambiente na América Latina e no mundo está começando a virar a favor de governos como o de Lula”, disse.
Ao comentar as eleições brasileiras de 2026, o economista afirmou que a direita sofreu desgastes importantes nas últimas semanas, especialmente após denúncias envolvendo figuras ligadas ao bolsonarismo. Ainda assim, alertou para a possibilidade de Michelle Bolsonaro surgir como candidata competitiva caso receba apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Ela é carismática, fala bem e pode ser perigosa eleitoralmente”, avaliou.
Paulo Nogueira também criticou setores da equipe econômica e diplomática do governo Lula, especialmente pela condução do acordo entre Mercosul e União Europeia, que classificou como desfavorável ao Brasil.
“O governo está conduzindo acordos comerciais como se fosse um governo Fernando Henrique Cardoso”, afirmou.
Apesar das críticas, ele acredita que Lula ainda pode reorganizar sua estratégia política e econômica num eventual novo mandato. Segundo o economista, o presidente teria a oportunidade de abandonar a política de conciliação e priorizar um projeto nacional mais soberano.
“Lula não precisará mais se preocupar com a reeleição. Ele poderá pensar apenas na história”, afirmou.



