Lênio Streck vê repetição da Lava Jato em crise no STF: “por enquanto só temos manchetes”
Em entrevista à TV 247, jurista critica vazamentos, aponta “heterodoxias” em decisões e diz que “o estrago já está feito”
247 - O jurista Lênio Streck afirmou que a atual crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) apresenta sinais de repetição de práticas observadas durante a Operação Lava Jato, especialmente no que se refere a vazamentos de informações e à condução institucional de investigações.
Em entrevista ao programa Boa Noite 247 desta sexta (13), o jurista afirma que o cenário atual é marcado mais por narrativas públicas do que por elementos concretos conhecidos.
“Por enquanto, eu tenho o quê? Eu tenho a manchete. E aí?”, disse o jurista, afirmando que o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria deveria ter seguido rito formal, com declaração expressa de suspeição, e não como uma decisão pessoal. Para Streck, a forma como o processo foi conduzido pode gerar questionamentos futuros.
“Tudo aconteceu e está acontecendo de forma heterodoxa. Se você fizer o jogo dos sete erros, você vai encontrar dez erros”, acrescentou, demonstrando preocupação com possíveis nulidades processuais.
Na avaliação do jurista, irregularidades de origem podem comprometer qualquer investigação, independentemente do mérito das acusações.
Streck também questionou a divulgação de informações que estariam sob sigilo, destacando que a situação lembra episódios do passado recente. “Este inquérito tinha um alto grau de sigilo. Como? Quem vazou? É crime vazar”, afirmou, cobrando apuração sobre responsabilidades.
O jurista apontou ainda possível tensão institucional envolvendo a Polícia Federal, o STF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Para ele, a condução do caso deveria respeitar competências legais claras. “A polícia não tem nem legitimidade para pedir suspeição. Isto é coisa do procurador-geral da República fazer”, declarou.
Ao comparar o momento atual com o período da Lava Jato, Streck afirmou perceber semelhanças preocupantes. “Os personagens são muito parecidos”, disse, referindo-se a práticas de vazamentos e disputas narrativas que marcaram aquele período.
Ele também lembrou que investigações conduzidas com irregularidades podem gerar consequências políticas amplas, como ocorreu em casos anteriores. “Na Lava Jato, tudo foi construído através do vazamento e construíam uma narrativa”, lembrou.
Para o jurista, independentemente dos desdobramentos futuros, a crise já produziu impactos relevantes. “O estrago nesse momento é muito grande, o estrago está feito”, disse. Na avaliação dele, o cenário agora exige medidas para minimizar consequências negativas.
O jurista defendeu que a solução passe por atuação institucional firme da PGR. “A redução de danos se faz a partir da Procuradoria-Geral da República retomar a institucionalidade, abrir uma investigação duríssima com relação aos vazamentos”, defendeu.
Lênio Streck alertou ainda para o impacto histórico das decisões do STF em episódios recentes da política brasileira. “O papel do Supremo no 8 de janeiro nunca vai ser perdoado”, declarou.


