Breno Altman: “Nada será fácil, é uma disputa acirradíssima"
Jornalista afirma que denúncias envolvendo o Banco Master alteraram a dinâmica eleitoral e ampliaram a vantagem do presidente
247 - A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira revela uma mudança no cenário eleitoral brasileiro. Essa é a avaliação do jornalista Breno Altman, que apontou o crescimento de Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto e o recuo de Flávio Bolsonaro como os principais elementos do levantamento. Segundo ele, o quadro observado nos últimos meses passou por uma inflexão importante.
“O cenário mudou”, resumiu Altman ao analisar os números da pesquisa. Para o jornalista, a principal novidade é a consolidação de uma tendência favorável ao presidente Lula depois de um período em que a disputa aparecia mais equilibrada.Durante a entrevista ao programa Bom Dia 247, Altman lembrou que, em abril, Flávio Bolsonaro aparecia numericamente à frente de Lula nas projeções de segundo turno. Em maio, a diferença tornou-se favorável ao presidente, mas ainda dentro de uma margem estreita. Agora, segundo ele, a distância cresceu.
“Em abril, quando se tratava de segundo turno, o Flávio Bolsonaro estava matematicamente na frente do presidente Lula. Em maio, mudou um pouquinho. O presidente Lula passou, matematicamente, à frente de Flávio Bolsonaro. E agora, como se diz no jargão, abriu a boca de jacaré”, afirmou.
Apesar da melhora registrada pelo presidente, Altman destacou que não se trata de uma disputa resolvida. Na sua avaliação, o bolsonarismo continua mantendo força eleitoral relevante.
“Nada será fácil, nada será simples, é uma disputa acirradíssima. Eu não vejo, por essa e outras pesquisas, o Flávio Bolsonaro se desmanchando. Não é esse o fenômeno, pelo menos por hora”, observou.
O jornalista também chamou atenção para a recuperação gradual da avaliação do governo. Segundo ele, a diferença entre aprovação e desaprovação diminuiu significativamente nos últimos meses, acompanhando a melhora da posição eleitoral do presidente.
Entretanto, Altman sustenta que as medidas econômicas adotadas pelo governo federal não explicam, sozinhas, a mudança do cenário. Embora programas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o Desenrola tenham produzido resultados perceptíveis, seus efeitos aparecem de forma gradual.
“As ações do governo, como a isenção do imposto de renda e o Desenrola, têm tido um efeito pela margem. Não é um efeito nulo, mas é um efeito pequeno”, afirmou.
Para o analista, a explicação principal para a mudança observada nas pesquisas está no desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro. Segundo ele, as denúncias relacionadas ao Banco Master tiveram impacto maior sobre o comportamento do eleitorado do que as medidas positivas apresentadas pelo governo.
“O que melhor explica a mudança do cenário não são os fatos positivos em relação ao presidente Lula. São os fatos negativos em relação a Flávio Bolsonaro”, declarou.
Altman argumenta que os desdobramentos do caso Banco Master passaram a produzir efeitos políticos constantes e ajudaram a criar um ambiente mais favorável ao governo federal. Para ele, as últimas semanas foram marcadas por uma sucessão de notícias negativas para o senador e por uma melhora gradual da situação de Lula.
“Nas últimas semanas, nós tivemos más notícias para Flávio Bolsonaro e boas notícias para o presidente Lula. Houve uma mudança da cena política a partir das denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro com o Banco Master”, afirmou.
Embora considere cedo para fazer previsões definitivas sobre a eleição, Altman avalia que a tendência atual favorece o presidente.
“Nós não estamos diante de nenhum terremoto, mas estamos diante de um movimento gradual, negativo para Flávio Bolsonaro e positivo para o presidente Lula”, concluiu.



