“Ortodoxia neoliberal só tem levado ao declínio econômico”, diz Mercadante
BNDES celebra 74 anos de existência em cerimônia nesta segunda-feira
247 - O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, defendeu nesta segunda-feira (22), durante a solenidade de abertura do seminário comemorativo dos 74 anos da instituição, o papel do banco público no financiamento ao desenvolvimento, na política industrial e na recuperação da capacidade de indução econômica do Estado.
Mercadante afirmou que o BNDES ampliou de forma expressiva sua atuação nos últimos três anos e meio. Segundo ele, esse resultado foi possível pela liberdade concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a formação da diretoria e do conselho administrativo do banco.
“Nós estamos entregando muito ao Brasil. E isso foi possível porque o senhor permitiu que a gente constituísse, com toda liberdade, uma diretoria e um conselho administrativo para um banco público, isso é fundamental”, afirmou Mercadante.
O presidente do BNDES destacou que, no período recente, a instituição liberou R$ 862 bilhões em crédito para a economia. De acordo com ele, somente no ano passado foram R$ 366 bilhões, o equivalente a mais de R$ 1 bilhão por dia.
“Nesses três anos e meio fizemos R$ 862 bilhões de crédito na economia. No ano passado R$ 366 bilhões, mais de R$ 1 bilhão por dia. Não vou ficar fazendo comparações com o período anterior porque não precisa. São tão distantes os valores que é melhor olhar para frente”, disse.
Mercadante também ressaltou o crescimento dos ativos do banco. Segundo ele, quando a atual gestão assumiu, os ativos estavam em torno de R$ 650 bilhões. Em 31 de maio, o montante chegou a R$ 1,15 trilhão.
“Os ativos do banco é que dão estabilidade para a instituição financeira. O banco tem que crescer com segurança, estabilidade e consistência”, declarou.
Ao tratar do desempenho financeiro da instituição, Mercadante afirmou que o BNDES obteve o segundo melhor resultado do sistema financeiro e alcançou recorde histórico em seu resultado recorrente, ligado à atividade essencial do banco. Ele também destacou que a inadimplência da instituição é a menor do sistema financeiro.
“Tivemos o segundo melhor resultado do sistema financeiro e o nosso resultado recorrente, que é a atividade essencial do banco, foi recorde histórico. E a nossa inadimplência é a menor do sistema financeiro”, afirmou.
Durante o discurso, o presidente do BNDES agradeceu ao Congresso Nacional e afirmou que o Parlamento teve papel importante na definição de subsídios voltados a áreas estratégicas para o crescimento econômico.
“Quero agradecer ao Congresso Nacional, que a gente critica tanto. O Congresso foi fundamental para a gente colocar subsídios onde é estratégico, fundamental para o crescimento. E não ter subsídio onde não precisa ou não é tão essencial”, disse Mercadante.
O dirigente também defendeu a retomada de uma política industrial ativa no Brasil. Para ele, essa agenda acompanha uma tendência internacional e está diretamente ligada à missão histórica do BNDES.
“O mundo inteiro está fazendo política industrial. O BNDES sempre foi isso”, afirmou.
Na avaliação de Mercadante, o Brasil perdeu, nas últimas décadas, a articulação entre Estado, economia, investimento público, inovação e crescimento. Ele criticou a chamada ortodoxia neoliberal e defendeu a retomada qualificada da capacidade de indução do desenvolvimento.
“Nós perdemos essa relação criativa entre Estado e economia, entre indução e crescimento, entre subsídios em áreas estratégicas, fomento à inovação. O Ocidente não se deu conta do tempo que perdeu nesses 40 anos por uma ortodoxia neoliberal que só tem levado ao declínio econômico. Precisamos recuperar, com qualidade, para colocar os recursos nos lugares certos”, declarou.
A fala ocorreu no contexto das comemorações dos 74 anos do BNDES, instituição criada para financiar projetos de desenvolvimento econômico e social no país. Na cerimônia, Mercadante vinculou os resultados recentes do banco à ampliação do crédito, ao fortalecimento da política industrial e ao papel estratégico do Estado na promoção do crescimento.



