Mercosul e Canadá avançam em acordo comercial e miram assinatura em 2026
Negociações ganham ritmo acelerado e podem resultar em tratado de livre comércio até setembro, ampliando investimentos e acesso a mercados
247 - As negociações entre o Mercosul e o Canadá avançam em ritmo acelerado e podem resultar em um acordo de livre comércio ainda em 2026, com possibilidade de assinatura já no segundo semestre. Uma nova rodada de tratativas está prevista para ocorrer em Brasília no próximo mês, indicando o fortalecimento do diálogo entre os blocos. Segundo informações obtidas por fontes envolvidas nas negociações, há expectativa concreta de conclusão do acordo dentro do prazo projetado.
De acordo com autoridades de Canadá, Argentina e Brasil ouvidas pela agência Reuters, o entendimento entre as partes evolui de forma consistente. Uma das fontes destacou que as negociações estão “progredindo bem” e podem ser concluídas antes de setembro. Outra pessoa próxima ao governo argentino afirmou que o tratado deve ser formalizado entre setembro e outubro, cerca de um ano após a retomada oficial das discussões.
Diplomatas envolvidos no processo reforçam que o avanço ocorre em velocidade considerada inédita. Um representante baseado no Brasil afirmou que as tratativas seguem “em uma velocidade recorde e extremamente bem”, aumentando a probabilidade de um desfecho ainda neste ano. Nesse contexto, a possível visita do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, ao Brasil no próximo trimestre pode contribuir para impulsionar a conclusão do acordo, embora não esteja prevista uma assinatura formal durante a agenda.
O avanço atual sucede meses de negociações técnicas, retomadas após um período de paralisação iniciado em 2021. O Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — com a Bolívia em processo de adesão plena até 2028 — busca ampliar sua inserção em mercados desenvolvidos, enquanto o Canadá tenta diversificar suas relações comerciais diante das incertezas provocadas por tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A América do Sul, especialmente o Brasil, é considerada estratégica para o Canadá. Já para o Mercosul, um eventual acordo representa a oportunidade de ampliar exportações de produtos como carne bovina, soja e minerais, além de atrair investimentos em setores como mineração.
O movimento recente também envolve iniciativas regionais. No início de março, representantes comerciais de Ontário — uma das principais províncias canadenses — visitaram Argentina e Uruguai para fortalecer relações comerciais e preparar terreno para o acordo. O ministro do Desenvolvimento Econômico, Criação de Empregos e Comércio de Ontário, Victor Fedeli, participou de reuniões com setores de tecnologia e mineração, dando continuidade a uma agenda iniciada no Brasil em 2025.
Fedeli destacou a estratégia de diversificação comercial diante da forte dependência dos Estados Unidos, responsável por cerca de 80% do comércio da província. “Estamos aproveitando esse impulso”, afirmou. Ele acrescentou: “O governo canadense leva a sério a diversificação em relação aos EUA, trabalhando para abrir novas oportunidades de comércio, parceria e investimento”.
As negociações com o Canadá ocorrem em um momento de intensificação da agenda comercial do Mercosul. Em janeiro, o bloco concluiu um acordo com a União Europeia após 25 anos de tratativas. A Comissão Europeia informou que os principais pontos comerciais desse tratado começarão a ser aplicados provisoriamente a partir de 1º de maio, apesar das controvérsias ainda existentes no continente europeu.


