Mercadante: BNDES vai ampliar crédito e 'entrar muito forte' no apoio às empresas afetadas por tarifaço de Trump
Banco prepara pacote emergencial contra sobretaxas americanas e promete novidades próprias além das medidas já anunciadas pelo governo
247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prepara um pacote robusto para socorrer empresas brasileiras impactadas pelo aumento de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi dada nesta quinta-feira (21) pelo presidente da instituição, Aloizio Mercadante, durante a apresentação dos resultados do primeiro semestre de 2025, no Rio de Janeiro.
“Estamos concluindo todo o programa de crédito emergencial para socorro às empresas afetadas pelo tarifaço. Precisamos ainda da definição do CMN sobre alguns detalhes, especialmente as taxas, mas acho que está alinhado”, afirmou Mercadante. Segundo ele, a entrada do banco será “muito forte” e deve ampliar de maneira significativa a oferta de crédito.
De acordo com o presidente do BNDES, a instituição será a principal coordenadora do apoio financeiro até que uma mesa de negociação comercial consiga reverter, ao menos em parte, as sobretaxas. “Somos o banco que vai coordenar essa ação até que a gente consiga ter uma mesa de negociação comercial capaz de reverter [as tarifas], como já aconteceu parcialmente”, disse. Ele citou o caso da Embraer, que teve uma redução parcial da tarifa de 50% para 10%, mas ainda enfrenta restrições.
Além de implementar medidas previstas pelo governo federal, Mercadante adiantou que o BNDES apresentará iniciativas próprias. “O que as empresas decidirem fazer, o BNDES vai estar aqui para apoiar, inclusive porque o BNDES vai ter novidades próprias a serem apresentadas nesse esforço, nós iremos além do que vai ser proposto pelo governo”, declarou.
O pacote Brasil Soberano, lançado em 13 de agosto, já prevê uma linha de crédito de R$ 30 bilhões com recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), administrado pelo BNDES, em parceria com o Banco do Brasil. Essa linha foi anunciada como resposta às sobretaxas de até 50% aplicadas pelos Estados Unidos em diferentes setores da economia brasileira.
No entanto, segundo Mercadante, as condições finais do crédito emergencial ainda dependem de definições do Conselho Monetário Nacional (CMN), especialmente no que diz respeito às taxas de juros. Ele lembrou que, em situações anteriores, como no socorro ao Rio Grande do Sul após as enchentes de maio de 2024, os empréstimos foram concedidos com juros entre 1% e 4% ao ano, mais o spread bancário. “Assim que o presidente Lula bater o martelo, o BNDES está pronto para fazer da forma mais rápida e eficiente, a exemplo do que fizemos no Rio Grande do Sul, quando aumentamos em seis vezes a velocidade de aprovação de crédito”, disse.
O banco deve operar tanto com crédito indireto, via bancos parceiros, quanto com crédito direto. Mercadante aconselhou as empresas a buscarem as instituições financeiras com as quais já mantêm relacionamento, para agilizar os desembolsos. Ele destacou ainda o uso de inteligência artificial no processo de análise, o que deve tornar a liberação de recursos mais ágil.
A definição de quais empresas poderão acessar as linhas emergenciais caberá ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e à Receita Federal. “Eles têm os dados de quem exportava e o quanto perdeu, e aí a gente pode entrar com muita agilidade para resolver”, explicou.
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