Liquidado pelo BC, banco Pleno pagava 110% do CDI e mudou de nome três vezes
Instituição ligada ao grupo Master oferecia CDBs acima do mercado, acumulava R$ 6,8 bilhões em passivos e terá R$ 4,9 bilhões pagos pelo FGC a clientes
247 - O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira de cinzas (18/12) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição que integrava o conglomerado associado ao Banco Master. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo. Assim como o Master, o Pleno oferecia remuneração acima da média do mercado para captar recursos de investidores.
Nos Certificados de Depósito Bancário (CDBs), o banco prometia rentabilidade de 110% do CDI, enquanto grandes instituições financeiras costumam pagar 100% do índice. Dados do Banco Central indicam que, em setembro do ano passado, o Pleno acumulava passivos de cerca de R$ 6,8 bilhões, sendo quase R$ 5,2 bilhões em CDBs e aproximadamente R$ 760 milhões em letras financeiras.
Com a liquidação do Banco Master, em novembro, e a prisão de seu controlador, Augusto Lima — que posteriormente foi solto, mas passou a usar tornozeleira eletrônica — a situação de liquidez do Pleno se deteriorou. As captações por CDBs cessaram e a autoridade monetária decidiu pela liquidação. Cerca de 160 mil clientes terão direito à cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deverá desembolsar R$ 4,9 bilhões.
A instituição teve origem no Banco Indusval & Partners (BI&P), fundado em 1967 pelo empresário Roberto de Rezende Barbosa, inicialmente voltado ao financiamento do agronegócio e ao crédito corporativo. Ao longo dos anos, passou por sucessivas reestruturações e mudanças de marca até se posicionar como banco médio com foco em empréstimos a empresas e captação de pessoas físicas.
Em 2019, uma cisão societária manteve os ativos problemáticos no Indusval, enquanto uma holding assumiu o controle do Voiter, instituição direcionada a soluções digitais e operações estruturadas. Em 2023, o Banco Master adquiriu 100% do controle do Voiter, operação aprovada pelo Banco Central e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em abril de 2024. Nas demonstrações financeiras de 2024, o banco registrou: "A mudança de controle do Voiter, propiciou aumento dos limites operacionais, permitindo intensificar a estratégia de crescimento da carteira de crédito e originar operações com ticket médio maior, bem como acessar empresas com faturamento superior a R$ 1 bilhão, abrangendo novas oportunidades de negócio".
Augusto Ferreira Lima deixou a sociedade com Daniel Vorcaro no Master em 2024 e, em julho de 2025, quando o conglomerado já apresentava sinais de fragilidade, assumiu o Voiter. Após duas capitalizações que somaram R$ 160 milhões, rebatizou a instituição como Pleno. Entre os ativos mantidos estava o Credcesta, operação de crédito consignado criada por Lima e que contribuiu para a expansão do Master nesse segmento.
Após a venda do Voiter ao Master, a família Rezende Barbosa iniciou disputa judicial para cobrar valores que, segundo alega, seriam devidos pela instituição ligada a Daniel Vorcaro. Paralelamente, investiu R$ 400 milhões em debênture emitida pelo controlador do Master. A família afirma que não houve pagamento nas datas acordadas, enquanto o Master sustentou que houve pedido de antecipação do vencimento do contrato. As partes firmaram um acordo poucos dias antes de o Master entrar em liquidação.


