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Galípolo anuncia novas regras para evitar casos como o do Master

Presidente do Banco Central afirmou que descasamento entre ativos e passivos agravou situação do banco e levou à liquidação extrajudicial

Galípolo anuncia novas regras para evitar casos como o do Master (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
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247 - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o principal problema do Banco Master foi a forma como os recursos captados pela instituição foram utilizados. Segundo ele, houve um desequilíbrio entre os ativos e os passivos do banco, situação que acabou comprometendo a capacidade da instituição de honrar os resgates dos clientes. As declarações foram dadas durante audiência pública.

De acordo com Galípolo, o banco captava recursos no varejo, com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas direcionava o dinheiro para ativos incompatíveis com esse perfil de captação. O presidente do BC destacou que essa prática gerou um descasamento financeiro que se tornou insustentável ao longo do tempo.

“Você não quer descasamento entre passivo e ativo, ou seja, que a instituição esteja fazendo uma captação no varejo, com garantia do FGC, para aplicar em ativos que não são próprios do varejo”, afirmou Galípolo.

Banco Master enfrentou crise financeira em 2025

Durante a audiência, o presidente do Banco Central explicou que a deterioração financeira do Banco Master se intensificou ao longo de 2025, culminando na liquidação extrajudicial da instituição em novembro daquele ano.

Segundo Galípolo, o BC passou a acompanhar a situação com mais preocupação quando identificou que o banco continuava criando novas carteiras de crédito, em vez de reduzir sua exposição e vender ativos para melhorar a liquidez.

O dirigente afirmou ainda que a principal preocupação do mercado e das autoridades não estava apenas no volume das dívidas da instituição, mas no destino dado aos recursos captados junto aos clientes.

“Eu concordo que o que está consternando as pessoas, como eu disse, não é o passivo [dívida do banco], é o que foi feito com o dinheiro”, declarou o presidente do Banco Central.

Banco Central anuncia mudanças nas regras

Na mesma audiência, Gabriel Galípolo apresentou medidas adotadas pelo Banco Central para evitar que situações semelhantes se repitam no sistema financeiro nacional.

Entre as mudanças anunciadas estão novas restrições para a oferta de produtos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos. A ideia é reduzir riscos associados a instituições que utilizem garantias do FGC para ampliar excessivamente a captação de recursos.

O Conselho Monetário Nacional também criou um novo indicador chamado AR (Ativo de Referência), que servirá para medir a capacidade financeira e a solidez das instituições bancárias.

Novo indicador vai medir liquidez dos bancos

O AR será utilizado para avaliar se os bancos possuem ativos considerados seguros e com capacidade de rápida conversão em dinheiro. A medida busca fortalecer os mecanismos de controle e reduzir vulnerabilidades no sistema financeiro.

Além disso, instituições financeiras que captarem volumes elevados de recursos garantidos pelo FGC passarão a ter novas exigências regulatórias.

Segundo as regras anunciadas pelo Banco Central, caso o valor captado supere o limite estabelecido pelo Ativo de Referência, o banco será obrigado a adquirir títulos públicos federais como forma de reforçar sua segurança financeira.

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