Fazenda mantém previsão de alta do PIB em 2,3% em 2026
Ministério da Fazenda prevê desaceleração nos próximos trimestres, mas aposta em indústria e serviços para sustentar o PIB em 2026
247 - O Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a estimativa de crescimento do PIB em 2026, mesmo diante da expectativa de desaceleração da atividade econômica nos próximos trimestres. A projeção é sustentada, segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), pelo desempenho da indústria e dos serviços, apesar de uma expansão mais fraca esperada para a agropecuária.
Em nota, a SPE avaliou que a economia brasileira deve perder ritmo no segundo e no terceiro trimestres, em razão da redução gradual dos efeitos de políticas públicas sobre a atividade. Ainda assim, o governo considera que a queda do custo do crédito poderá compensar parte dessa desaceleração.
“No segundo e terceiro trimestres, o crescimento na margem deverá desacelerar, com a dissipação do efeito de políticas públicas sendo parcialmente compensada pela redução do custo do crédito”, afirmou o Ministério da Fazenda.
A avaliação da equipe econômica indica que a indústria manufatureira deve ganhar força no fim do ano, impulsionada pelo processo de flexibilização monetária em andamento. A expectativa é de que os cortes de juros pelo Banco Central tenham impacto positivo sobre a atividade produtiva, especialmente no último trimestre de 2026.
Desempenho do PIB no primeiro trimestre
Segundo a SPE, o crescimento de 1,1% do PIB nos três primeiros meses de 2026 ficou ligeiramente acima do que havia sido projetado pelo governo. A composição desse avanço, no entanto, foi diferente da esperada.
A indústria teve desempenho melhor que o previsto, enquanto os setores de serviços e agropecuária ficaram levemente abaixo das estimativas. Para o Ministério da Fazenda, essa mudança na composição do crescimento ajuda a explicar a manutenção da projeção anual, mesmo com sinais de moderação à frente.
Pela ótica da demanda, o governo destacou a recuperação da formação bruta de capital fixo, indicador que mede investimentos em máquinas, equipamentos e construção. Também houve aceleração do consumo das famílias, fator que contribuiu para sustentar a atividade econômica no início do ano.
“Pela ótica da demanda, o destaque do primeiro trimestre foi a forte recuperação da formação bruta de capital fixo e a aceleração do consumo das famílias. No setor externo, por sua vez, as exportações recuaram, enquanto as importações avançaram, configurando contribuição negativa do setor externo para o crescimento no trimestre. O resultado indica, portanto, que a absorção doméstica foi o principal motor do crescimento no período, compensando o setor externo”, avaliou o governo.
Setor externo teve contribuição negativa
O desempenho do setor externo foi considerado desfavorável no primeiro trimestre. De acordo com a análise da SPE, as exportações recuaram, enquanto as importações avançaram, o que gerou contribuição negativa para o crescimento do PIB no período.
Com isso, a absorção doméstica, formada principalmente pelo consumo das famílias e pelos investimentos, foi apontada como o principal motor da expansão econômica nos três primeiros meses de 2026. Esse movimento compensou o efeito negativo vindo do comércio exterior.
Brasil aparece entre os destaques do G20
Na comparação internacional, o governo afirmou que o Brasil teve desempenho relevante entre os países do G20 que já divulgaram os resultados do PIB do primeiro trimestre de 2026.
Segundo o Ministério da Fazenda, o país ocupou a quarta posição no crescimento na margem, a sexta colocação na comparação interanual e a quinta posição no acumulado em quatro trimestres. A leitura da equipe econômica é de que o resultado reforça a resiliência da atividade brasileira, apesar da desaceleração projetada para os próximos meses.
A manutenção da estimativa de alta de 2,3% para o PIB em 2026 indica que a Fazenda ainda vê espaço para crescimento ao longo do ano, com maior peso da indústria e dos serviços na sustentação da atividade econômica.



