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BC errou nos juros em 2025 e pressiona economia, diz Uallace Moreira

Secretário do MDIC critica manutenção da Selic elevada e aponta impactos sobre emprego, crescimento e equilíbrio fiscal no Brasil

Uallace Moreira (Foto: Divulgação / MDIC)

247 -  A condução da política monetária pelo Banco Central em 2025 foi alvo de críticas do secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira. Em avaliação divulgada em suas redes sociais, ele afirma que a estratégia adotada com a taxa básica de juros trouxe efeitos negativos para o crescimento econômico, o investimento produtivo e o mercado de trabalho.

Segundo o secretário, os dados mais recentes da inflação reforçam a percepção de que houve erro na condução dos juros. A prévia do IPCA-15 de março registrou alta de 0,44%, indicando desaceleração, ainda que ligeiramente acima das expectativas do mercado. “O Banco Central errou em 2025 na política de juros, e agora pune o trabalhador”, afirmou.

Para Moreira, a manutenção da Selic em 15% ao longo de 2025 limitou a capacidade de resposta da economia diante de um cenário internacional adverso. Ele avalia que a redução de apenas 0,25 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária foi insuficiente para corrigir o que considera um equívoco anterior.

“A redução da SELIC em apenas 0,25% na última reunião e o cenário internacional mostram que o BC ter mantido a Selic em 15% em 2025 foi um erro, punindo o investimento produtivo, o crescimento e o emprego”, declarou.

O secretário também critica a justificativa atual para a manutenção dos juros elevados, associada ao contexto de conflitos internacionais. Na avaliação dele, esse argumento tem sido utilizado para evitar novos cortes na taxa básica. “Agora vai usar o argumento da Guerra para não baixar mais a selic”, disse.

Moreira sustenta que, caso a redução dos juros tivesse ocorrido ainda em 2025, o país não estaria hoje em um patamar tão elevado. Ele observa que o Brasil segue entre as maiores taxas de juros reais do mundo. “Se tivesse acertado em 2025, reduzindo a SELIC para abaixo de 15%, não estaria em um patamar tão elevado, e agora usando o argumento da Guerra para não baixar mais o juro, mantendo o Brasil como a 2° maior taxa de juro real do mundo”, afirmou.

Outro ponto destacado é o impacto fiscal da política monetária. De acordo com o secretário, o custo da dívida pública aumenta significativamente com a elevação da taxa básica. “Importante lembrar: taxa de juros alta dificulta o equilíbrio fiscal. Cada 1% de selic, são mais R$ 55 bilhões do serviço da dívida”, explicou.

Ele acrescenta que juros elevados também afetam negativamente o desempenho econômico, ao reduzir o crescimento, o nível de emprego e a arrecadação do governo, o que pode aprofundar desequilíbrios fiscais. “Além do mais, reduz crescimento econômico e o emprego, e a arrecadação do governo, gerando desequilíbrio fiscal e punindo o trabalhador”, declarou.

Por fim, Moreira questiona a eficácia da política de juros altos para enfrentar choques de preços externos, como a alta do petróleo. “Taxa de juros alta vai resolver o impacto do preço do barril do petróleo como? Só valorizando câmbio com entrada de capital de curto prazo..”, concluiu.

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