Robô chinês quebra recorde humano em meia maratona e impressiona o mundo
Avanço chinês em robótica ganha vitrine global com corrida em Pequim
247 - A meia maratona de Beijing E-Town 2026 atraiu atenção global ao evidenciar os rápidos avanços dos robôs humanoides chineses em velocidade, resistência e autonomia. A reportagem é do Diário do Povo.
O “Lightning”, desenvolvido pela equipe Qitian Dasheng, conquistou a vitória com o tempo de 50 minutos e 26 segundos, superando o atual recorde mundial masculino da meia maratona.
O número de equipes participantes cresceu de pouco mais de 20 no ano passado para mais de 100 nesta edição, refletindo tanto o aumento do interesse quanto o ritmo acelerado do progresso tecnológico.
“Quase 40% das equipes alcançaram navegação autônoma neste ano”, afirmou Liang Liang, vice-secretário-geral do Chinese Institute of Electronics. “Estamos testemunhando avanços em modelos, algoritmos, design e integração de hardware. O objetivo é acelerar tanto o desenvolvimento tecnológico quanto o industrial.”
Em apenas um ano, os ganhos de desempenho foram expressivos. O tempo de conclusão caiu de mais de duas horas, em 2025, para menos de uma hora em 2026. Segundo as equipes, esse salto foi impulsionado por melhorias na durabilidade dos materiais, na confiabilidade dos sistemas e na resistência térmica das articulações — fatores essenciais para operações contínuas em longas distâncias.
O robô Tiangong Ultra, vencedor da edição inaugural, destacou-se por correr com passos estáveis e movimentos coordenados dos braços, sem qualquer orientação humana.
“Em simulações, dezenas de milhares de robôs virtuais registraram um total combinado de 27.300 horas de corrida e passaram por mais de 100 mil iterações”, explicou Xu Zhiyuan, chefe de controle de movimento do Centro de Inovação em Robótica Humanoide de Pequim. “Em velocidades próximas às de humanos profissionais, as janelas de percepção e tomada de decisão se reduzem drasticamente, exigindo grandes melhorias em potência, algoritmos e capacidade de resposta do sistema.”
Para muitas equipes, a corrida se consolidou como um verdadeiro laboratório de inovação. A equipe Taishan, da província de Shandong, vivenciou isso de forma emblemática: nos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides do ano passado, seu robô “Xingzhe Taishan”, com 1,38 metro de altura, continuou correndo mesmo após perder um braço.
“Desde março, treinamos nosso robô com intensidade de maratona, correndo uma meia maratona todos os dias”, disse Liu Dayu, chefe de novas tecnologias da Yobotics. “Para lidar com superaquecimento e fadiga mecânica, desenvolvemos um sistema de resfriamento líquido e reforçamos materiais-chave.”
Os robôs desta edição mostraram um salto visível de capacidade. Um dos principais destaques foi a troca ultrarrápida de baterias, realizada em menos de 10 segundos — desempenho comparável às paradas de box da Fórmula 1.
“No passado, a troca de baterias levava vários minutos e exigia reinicialização do sistema”, afirmou Xing Boyang, diretor técnico da Humanoid Robot (Shanghai) Co., Ltd. “Agora, leva apenas segundos, sem interrupção.”
Os avanços em gestão térmica também foram decisivos. A combinação de resfriamento líquido e a ar reduziu a temperatura das articulações de 70–80°C para cerca de 60°C. Paralelamente, melhorias nas baterias permitiram maior tempo de operação contínua, elevando significativamente o desempenho geral.
“A competição está impulsionando a inovação em baterias e além — são avanços que simplesmente não podem ser alcançados apenas em laboratório”, destacou Xing.
Mais do que uma disputa esportiva, o evento funciona como um campo de testes extremo em condições reais para a indústria de robótica humanoide. Os dados coletados devem acelerar avanços em inteligência incorporada, controle de movimento e outras áreas estratégicas.
A edição de 2026 registrou um aumento de cinco vezes no número de equipes, incluindo cinco delegações internacionais estreantes, o que ampliou a diversidade da competição.
Curiosamente, muitas equipes utilizaram o mesmo “modelo base” de robô, mas apresentaram desempenhos bastante distintos, dependendo do software e da otimização dos sistemas. Esses “desenvolvedores secundários” incluem empresas, instituições de pesquisa, universidades e entusiastas independentes.
“O modelo base é como uma estrutura em branco — nós o trazemos à vida com nossas próprias ideias”, afirmou Dou Yuhan, doutorando da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong. Ele avalia que a ampliação da participação é essencial para impulsionar o avanço da robótica humanoide.
Um dado relevante é que todas as cinco equipes internacionais optaram por modelos base fabricados na China, evidenciando a tendência de “hardware chinês, inteligência global”.
Embora apenas um robô leve o título, todas as equipes que chegam à largada já são consideradas vencedoras. Como resume o slogan do evento: “Quem participa é um herói; quem conclui vence com glória.” Na convergência entre esporte e tecnologia, não são apenas as máquinas que avançam — o próprio ritmo da inovação se acelera.




