Segunda-feira de carnaval na Sapucaí celebra Rita Lee, cultura afro-baiana e resistência negra no Carnaval 2026
Mocidade, Beija-Flor, Viradouro e Tijuca desfilam na segunda noite com enredos sobre liberdade, fé e trajetórias marcantes
247 - A segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro no Carnaval de 2026, na Marquês de Sapucaí, será marcada por enredos que destacam artistas brasileiros e histórias ligadas à luta por liberdade, resistência cultural e afirmação de identidades.
Quatro escolas vão atravessar a avenida com temas centrados em figuras históricas e manifestações populares: Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca. A programação reúne homenagens a Rita Lee, ao tradicional Bembé do Mercado, ao mestre de bateria Ciça e à escritora Carolina Maria de Jesus.
Mocidade homenageia Rita Lee como símbolo de liberdade
Abrindo a noite, a Mocidade Independente de Padre Miguel levará para a avenida o enredo "Rita Lee, a padroeira da Liberdade", em tributo à cantora e compositora, considerada um dos maiores nomes do rock nacional, falecida em 2023.
A proposta do desfile é ressaltar a irreverência e o espírito contestador da artista, além de sua relevância na transformação de costumes e na história da música brasileira. A escola pretende apresentar Rita Lee como um símbolo de criatividade e independência, associando sua trajetória à liberdade de expressão.
Beija-Flor destaca tradição do Bembé do Mercado e resistência religiosa
Em seguida, a Beija-Flor de Nilópolis apresentará o enredo "Bembé", inspirado no Bembé do Mercado, celebração afro-brasileira realizada em Santo Amaro, na Bahia, desde 1889.
O desfile deve abordar o candomblé como expressão de fé e resistência, reforçando o papel histórico da festa como manifestação cultural do povo negro no período pós-abolição. A escola também pretende destacar a permanência do Bembé como símbolo de identidade, liberdade religiosa e luta por igualdade.
O carnavalesco João Vitor Araújo contextualizou o significado histórico do evento:
"Há 136 anos, uma festa começa quando João de Obá se reúne com um grupo de ex-escravizados e decide sair pelas ruas de São Tamaro tocando candomblé. Acho que em protesto, porque eles entenderam que um ano depois da abolição da escravatura nenhum tipo de reparação histórica, nenhum tipo de benefício chegaria até eles. Então, a forma de celebrar essa tal liberdade, que não tem relação nenhuma com a assinatura da princesa, era que pelo menos eles poderiam louvar seus santos, manifestar sua cultura sem opressão"
Viradouro celebra Ciça e sua trajetória na bateria
A terceira escola da noite será a Unidos do Viradouro, que entra na avenida com o enredo "Pra cima, Ciça", dedicado ao mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto, conhecido como Ciça.
A homenagem marca os 70 anos de vida do sambista e mais de cinco décadas de atuação no Carnaval. O enredo deve destacar sua energia, sua influência no ritmo da escola e seu papel na construção da identidade musical da Viradouro, reconhecida como uma das baterias mais respeitadas da Sapucaí.
Unidos da Tijuca leva Carolina Maria de Jesus para o centro do Carnaval
Fechando a segunda noite, a Unidos da Tijuca apresentará o enredo "Carolina Maria de Jesus", retratando a vida e a obra da escritora (1914–1977), autora do livro "Quarto de Despejo", um dos relatos mais marcantes sobre pobreza e desigualdade social no Brasil.
O desfile deve acompanhar sua trajetória desde a favela do Canindé, em São Paulo, até o reconhecimento literário, destacando como Carolina transformou sua vivência em denúncia social e arte.
O carnavalesco Edson Pereira ressaltou o caráter de resistência do enredo:
"É um enredo que conta uma trajetória, uma trajetória de luta, de resistência, de uma mulher preta, de uma mulher que sonhava, mas os sonhos dela não eram sonhos como os que nós temos atualmente, de riqueza, de luxo. Principalmente o carnaval representa muito isso. O sonho dela eram os sonhos mais simples, de poder ter comida no prato, de alimentar seus próprios filhos, de resistir a uma sociedade na qual não era"
Confira a ordem e os horários da segunda noite de desfiles
22h – Mocidade Independente de Padre Miguel
23h30 – Beija-Flor de Nilópolis
1h – Unidos do Viradouro
2h30 – Unidos da Tijuca
Com enredos voltados à música, à cultura afro-brasileira, ao samba e à literatura, a segunda noite do Carnaval 2026 promete levar à avenida narrativas de resistência e memória, reafirmando a Sapucaí como palco de celebração popular e disputa simbólica pela história do Brasil.
Internet registra picos de buscas pelo desfiles nesta segunda-feira
Dados do Google Trends revelam picos de pesquisas relacionadas aos desfiles de carnaval na Marquês de Sapucaí.



