Produtor de ‘Dark Horse’, Mario Frias sai em defesa de Flávio Bolsonaro
Produtor negou sociedade do senador no filme e disse que não há dinheiro de Daniel Vorcaro no projeto
247 - O deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor de “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro (PL), divulgou nota em defesa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação de que o senador teria negociado R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para viabilizar a produção. Vorcaro está preso por envolvimento em um esquema de fraudes financeiras que, segundo a Polícia Federal, movimentou ao menos R$ 12 bilhões.
O parlamentar do PL-SP foi secretário de Cultura no governo Jair Bolsonaro (junho de 2020 a março de 2022). Conforme a nota emitida por Mario Frias, Flávio Bolsonaro não integra a sociedade do filme nem da produtora e negou a presença de recursos de Daniel Vorcaro na obra. A nota também sustenta que “Dark Horse” tem 100% de capital privado e que o projeto será lançado nos próximos meses.
De acordo com o produtor, a participação de Flávio Bolsonaro no projeto teria relação apenas com a autorização para uso da imagem da família e com a capacidade de atrair investidores por causa do sobrenome. “O senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora”.
“Seu papel limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar um projeto desse porte — o que é legítimo, esperado e não configura, em si, nada além do óbvio”, afirmou.
Frias nega recursos de Vorcaro no filme
A nota de Mario Frias também rebateu a informação de que Daniel Vorcaro teria colocado dinheiro na produção de “Dark Horse”. O produtor citou a GOUP Entertainment para sustentar que o longa não recebeu valores do banqueiro.
“Como já esclareceu a produtora GOUP Entertainment, não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, acrescentou.
A defesa busca afastar Flávio Bolsonaro da estrutura societária do projeto e enquadrar eventuais tratativas de financiamento como relações privadas. A nota também afirma que não houve dinheiro público na produção.
O caso ganhou repercussão porque envolve o filho de Jair Bolsonaro, um projeto cinematográfico de interesse direto da família do ex-presidente e o dono de uma instituição financeira que aparece no centro de uma investigação bilionária.
Produtor diz que obra tem padrão hollywoodiano
Mario Frias apresentou “Dark Horse” como uma produção de grande porte. Segundo ele, o filme conta com capital privado, elenco de destaque e nomes internacionais na direção e no roteiro.
“Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional — com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI”.
“O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido”, continuou.
A nota tenta reforçar a viabilidade comercial da obra em meio às críticas sobre sua produção. Frias afirma que o longa segue em andamento e que os investidores terão retorno positivo.
Ataques ao projeto teriam motivação política, diz Frias
O produtor também afirmou que “Dark Horse” enfrenta uma campanha de descredibilização desde seu anúncio. Segundo a nota, os ataques miram a produção, a viabilidade do filme e sua futura exibição. “Desde o anúncio do projeto, Dark Horse vem sendo alvo reiterado de ataques direcionados não apenas à produção do filme, mas também à sua própria viabilidade e futura exibição”.
“Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas. Ainda assim, o projeto segue firme, estruturado e respaldado por profissionais experientes da indústria cinematográfica internacional”, complementou.
A manifestação de Frias ocorre em um momento de aumento da pressão sobre Flávio Bolsonaro. A revelação sobre a negociação com Vorcaro colocou o senador no centro de uma nova controvérsia ligada ao Banco Master e ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
Frias cita gestão na Cultura e nega irregularidade
Na parte final da nota, Mario Frias mencionou sua passagem pela Secretaria Especial da Cultura. Ele afirmou que administrou valores bilionários da Lei Rouanet e deixou o governo sem enriquecimento ilícito.
“Por fim, um lembrete pessoal: geri bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura e saí do governo com as mãos limpas. Quem não se enriqueceu com bilhões certamente não iria se sujar pelos R$ 2 milhões que a imprensa agora tenta atribuir”.
A nota marca a primeira reação direta do produtor diante das novas informações sobre o financiamento de “Dark Horse”. A defesa de Frias busca preservar Flávio Bolsonaro de acusações relacionadas à sociedade do filme, negar aportes de Vorcaro e sustentar que a produção tem natureza privada, sem uso de recursos públicos.



