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Padilha alerta bolsonaristas: não bebam detergente

Ministro da Saúde afirma que suspensão de lotes da Ypê atende a critérios sanitários e critica desinformação nas redes

Alexandre Padilha (Foto: Walterson Rosa/MS)
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247 - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (11) que há uma tentativa de transformar em disputa política uma decisão técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a suspensão de lotes de produtos de limpeza da Ypê. 

A declaração foi dada após apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro iniciarem uma campanha nas redes sociais em defesa da empresa, acusando a Anvisa de perseguição política. A medida da agência atingiu lotes de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante fabricados em Amparo, no interior de São Paulo.

“Tivemos no fim de semana uma enxurrada de vídeos irresponsáveis que desinformam a população, que tentam transformar algo técnico, a preocupação com a saúde das pessoas, em disputa política porque essa empresa financiou campanhas do ex-presidente da República e do seu time”, disse Padilha à imprensa.

A Anvisa determinou, em 7 de maio, o recolhimento de todos os lotes da Ypê com numeração final 1 fabricados na unidade de Amparo. A agência também suspendeu a produção desses itens. A decisão foi tomada após uma avaliação de risco sanitário, com base em inspeção realizada no fim de abril por técnicos da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo.

Padilha afirmou que a Anvisa não atua com orientação partidária. Para o ministro, a agência está “ao lado da saúde das famílias” ao adotar medidas de precaução diante de possíveis riscos sanitários.

O ministro também destacou que a apuração contou com a participação da vigilância sanitária do estado de São Paulo, governado por Tarcísio de Freitas, aliado de Bolsonaro. Ele citou ainda que Daniel Meirelles, diretor da Anvisa responsável pela área que decidiu pela suspensão, foi indicado durante o governo Bolsonaro.

“O diretor que é responsável por essa área na Anvisa foi indicado por Bolsonaro, foi assessor e secretário-executivo do ministro do governo Bolsonaro e está na Anvisa cumprindo o cargo e tendo a responsabilidade de cumprir papel técnico”, afirmou Padilha.

A reação política ganhou força no fim de semana. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou no sábado (9) uma foto com detergente da marca. O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, também saiu em defesa da empresa.

A Ypê recorreu da interdição e obteve efeito suspensivo contra a proibição de fabricar e comercializar os produtos apontados pela Anvisa. O recurso será analisado pela diretoria colegiada da agência na quarta-feira (13).

Imagens da inspeção sanitária feitas na fábrica de Amparo mostraram equipamentos usados na fabricação de detergente e lava-roupas com sinais de corrosão. Detalhes do relatório foram divulgados no domingo (10) pelo Fantástico.

Em nota, a Ypê afirmou que a inspeção não identificou contaminação nos produtos. A empresa disse possuir controle de qualidade capaz de detectar e descartar itens fora dos padrões exigidos. Também declarou que as fotos citadas no relatório mostram áreas sem contato com os produtos e integram “um plano robusto de melhorias na fábrica”, com mais da metade das ações já executadas.

Padilha afirmou que a própria empresa identificou no fim do ano passado a presença de bactéria em um lote, o que, segundo ele, exige cautela das autoridades sanitárias.

“A própria empresa, no final do ano passado, chegou a identificar no seu lote a presença de uma bactéria que não deveria estar nesse produto. Toda vez que se encontra uma bactéria nesse produto é um sinal de precaução importante, porque isso pode significar contaminação em várias etapas do processo de produção”, disse o ministro.

O ministro também criticou vídeos que estimulam comportamentos de risco envolvendo produtos de limpeza. Ele recomendou que as pessoas não bebam detergente de nenhuma marca.

“Muito menos sair fazendo ‘videozinho’ sobre isso. É uma desinformação, colocando em risco a vida das pessoas”, afirmou.

Padilha ainda fez uma crítica direta aos responsáveis pela propagação de conteúdos considerados irresponsáveis. “Não sejam irresponsáveis com a saúde das pessoas, como vários de vocês foram durante a pandemia”, disse.

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