'Motoristas de aplicativos ganham pouco e plataformas ganham muito', diz Lula
Em entrevista, presidente aponta necessidade de ampliar renda e garantir seguridade social aos trabalhadores de aplicativos
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que motoristas de aplicativos recebem remuneração inferior ao lucro das plataformas e defendeu a criação de um projeto de lei que amplie a renda e assegure direitos à categoria. A proposta, segundo ele, deve ser construída com a participação dos trabalhadores e incluir medidas de proteção social.
As declarações foram feitas em entrevista à TV 247, em parceria com o DCM e a Revista Fórum. Na conversa, Lula destacou que o governo está debatendo alternativas para melhorar as condições de trabalho no setor, incluindo motoristas e entregadores que atuam com motocicletas.
O presidente ressaltou que a elaboração do projeto precisa ocorrer de forma cuidadosa e dialogada com a categoria. “A gente não tem que fazer nada de forma atabalhoada. O que nós precisamos é trabalhar com muito afinco, ouvir o máximo de gente que a gente puder ouvir, para que seja um Projeto de Lei acordado por todos eles”, afirmou.
Durante a entrevista, Lula chamou atenção para a diversidade de situações dentro do trabalho por aplicativos, especialmente entre entregadores. “Nós estamos discutindo agora a questão dos motoqueiros, a questão dos meninos que trabalham com entrega de alimentos. É uma coisa muito nova. Não tem uma coisa uniforme entre eles. É um mundo muito diferente”, pontuou.
O presidente também criticou a distribuição de renda no setor. “Primeiro, eles têm que ganhar um pouco mais, porque as plataformas ganham muito e eles ganham pouco”, disse. Ele ainda mencionou a necessidade de infraestrutura básica para esses trabalhadores, como espaços para descanso e apoio durante a jornada.
Além disso, Lula revelou iniciativas em estudo para facilitar o acesso a veículos e melhorar a renda dos trabalhadores. “Eu estou há um ano tentando financiar moto. Tentei trazer moto da China para vender mais barato. Ainda estamos pesquisando isso, para ver se a gente consegue ajudar para ele poder ganhar um pouco mais”, afirmou.
Outro ponto central abordado foi a importância da seguridade social. O presidente defendeu que os trabalhadores de aplicativos tenham proteção em casos de acidentes ou imprevistos. “É importante a gente garantir que ele tem um pouco de seguridade social. É importante a gente convencê-lo de que se ele pagar, e pode ser pago pela própria plataforma, se ele tiver uma segurança social, se houver um acidente na moto, na bicicleta, no Uber, ele vai ter um amparo do Estado para ele se cuidar. O que ele não pode é ficar abandonado”, explicou.
Lula também voltou a defender o fim da escala 6x1, argumentando que os avanços tecnológicos permitem a redução da jornada de trabalho. “A gente está há quase 60 anos trabalhando oito horas por dia. Não é possível que com o avanço tecnológico que houve no mundo a gente não possa diminuir a jornada para deixar um tempo mais livre para estudar, para o lazer, para cuidar da família. O mundo está exigindo isso”, afirmou.
Ao final, o presidente incentivou maior mobilização social para pressionar por mudanças. “Essa molecada tem que aproveitar essa energia deles e pedir para que a gente faça as coisas acontecerem. Faça pressão em cima do governo, faça pressão em cima do Congresso Nacional. Nós não estamos governando para nós. Nós temos que governar para eles”, concluiu.


