Latam demite piloto preso por suspeita de abuso infantil
Sérgio Antônio Lopes seguirá preso após audiência; polícia aponta rede de exploração com ao menos três vítimas e uso de documentos falsos
247 - O piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi demitido da Latam após ser preso em São Paulo sob suspeita de liderar uma rede de abuso sexual infantil.
Em nota, a companhia aérea informou que Sérgio “não faz mais parte do seu quadro de colaboradores”. A empresa acrescentou que adota política de tolerância zero para ações e atos que desrespeitem seus valores, sua ética e seu código de conduta, e declarou que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
O piloto passou por audiência de custódia ontem no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, não foram identificadas irregularidades no cumprimento do mandado de prisão. Com isso, ele permanecerá detido. Sérgio foi acompanhado por advogado constituído durante a audiência. Procurada, a defesa informou que não iria se manifestar.
O processo tramita sob segredo de Justiça. De acordo com o Judiciário paulista, em razão disso, não podem ser divulgadas outras informações sobre o caso.
A prisão ocorreu na manhã de segunda-feira, dentro de uma aeronave no aeroporto de Congonhas, durante o embarque de passageiros. Além do piloto, foram detidas uma mulher de 55 anos, apontada como avó de crianças que seriam “vendidas”, e a mãe de outra criança, conforme informou o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito participava da rede de exploração havia pelo menos oito anos. Segundo a diretora do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP-SP), Ivalda Aleixo, ele chegou a pagar aluguel em troca de imagens de exploração sexual. “Ele mandava Pix de R$ 50, R$ 100, chegou a pagar um aluguel por imagens que ele recebia”, afirmou a delegada em entrevista coletiva.
As investigações apontam que o piloto teria feito ao menos três vítimas, irmãs de 10, 12 e 18 anos. Uma delas, segundo a polícia, era abusada desde os 8 anos. As meninas eram levadas a motéis, onde o suspeito utilizaria documentos falsos, conforme apurado pelos investigadores. Na semana passada, uma das vítimas teria sido espancada por ele em um motel, segundo a polícia.