Estado de saúde de ‘Sicário’ tem guerra de versões
Prisão de Luiz Phillipi Mourão na Operação Compliance Zero e tentativa de suicídio em cela da PF geram informações divergentes sobre suposta morte cerebral
247 - A prisão de Luiz Phillipi Mourão, investigado por suposta atuação como “sicário” ligado ao empresário Daniel Vorcaro, desencadeou uma disputa de versões sobre o estado de saúde do suspeito após uma tentativa de suicídio ocorrida dentro da carceragem da Polícia Federal (PF) em Belo Horizonte. O episódio ocorreu enquanto ele aguardava audiência de custódia e levou à abertura de investigação interna pela própria corporação. As informações são do Metrópoles.
Luiz Phillipi Mourão, de 43 anos, foi preso durante a Operação Compliance Zero, que investiga crimes relacionados ao escândalo envolvendo o Banco Master. De acordo com a apuração, ele seria responsável por liderar um núcleo da organização suspeita de intimidar e pressionar adversários ligados ao banqueiro. Nos autos do processo, é descrito como um matador de aluguel e teria recebido entre os integrantes do grupo o apelido de “Sicário”.
A tentativa de suicídio ocorreu na tarde de quarta-feira (4), na sede da Polícia Federal na capital mineira. Segundo a corporação, por volta das 15h30 Mourão retirou a própria camisa de mangas longas e a utilizou para se enforcar nas grades da cela onde estava detido.
Agentes perceberam a situação cerca de dez minutos depois e iniciaram manobras de reanimação que se estenderam por aproximadamente meia hora. O atendimento inicial foi realizado por integrantes do Grupo de Pronta Intervenção da PF e, posteriormente, por profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em estado grave, o investigado foi encaminhado ao Hospital João XXIII, referência em atendimento a traumas em Minas Gerais.
Versões divergentes sobre o estado de saúde
Nas horas seguintes ao ocorrido, surgiram informações conflitantes sobre o quadro clínico de Mourão. Ainda na noite de quarta-feira, a Polícia Federal informou que médicos do hospital teriam constatado morte cerebral do investigado.
Pouco depois, entretanto, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais divulgou nota afirmando que o paciente permanecia internado em estado gravíssimo no Centro de Terapia Intensiva (CTI), sem confirmação de morte encefálica.
Na quinta-feira (5), a defesa apresentou uma terceira versão. O advogado Robson Lucas da Silva afirmou que o investigado continuava vivo e hospitalizado em estado grave. Segundo ele, ainda não havia sido aberto o protocolo médico para confirmação de morte cerebral.
Investigação interna na Polícia Federal
Diante das circunstâncias da tentativa de suicídio, a Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar como ocorreu o episódio dentro da unidade de custódia.
A corporação informou que a cela onde Mourão estava preso é monitorada por câmeras e não possui pontos cegos. De acordo com a PF, as gravações registraram toda a sequência do ocorrido e indicariam que o investigado utilizou apenas a própria camisa para realizar o enforcamento.
As imagens, segundo a polícia, serão encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso está sob relatoria do ministro André Mendonça.
Histórico e investigações
As investigações apontam que Mourão possuía histórico ligado a atividades criminosas e atuaria como coordenador de um dos núcleos da organização suspeita de agir em defesa de interesses associados ao Banco Master.
Investigadores afirmam que ele receberia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços considerados ilícitos, que incluiriam ameaças e pressões contra adversários.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirmou que Mourão já responde a outro processo por participação em organização criminosa, crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro.
Registros da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais indicam que ele chegou a ficar preso por cinco dias em 2020. Durante a operação que resultou em sua prisão mais recente, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu um carro blindado ligado ao investigado na BR-381, no sul do estado.
O veículo, avaliado em mais de R$ 700 mil, era conduzido por um casal que acabou preso por determinação do Supremo Tribunal Federal.

