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Edinho Silva defende fim das emendas impositivas e diz que modelo político brasileiro “ruiu”

Presidente do PT afirma que governabilidade depende de reforma política e vê risco de interferência externa nas eleições brasileiras

Edinho Silva (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)
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247 - O presidente nacional do PT e coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Edinho Silva, defendeu mudanças profundas no sistema político brasileiro e afirmou que a governabilidade de um eventual quarto mandato de Lula dependerá da redução da influência do Congresso Nacional sobre o Orçamento. Em entrevista concedida ao jornal O Globo, Edinho sustentou que o atual arranjo político chegou ao limite e voltou a criticar o mecanismo das emendas impositivas.

Segundo o dirigente petista, o modelo político vigente perdeu capacidade de funcionamento. “O modelo político brasileiro ruiu, apodreceu. Não há como mais sustentar esse modelo político que está aí”, declarou. Para ele, uma reforma político-eleitoral deve ser prioridade na agenda institucional do país.

Edinho também associou a discussão sobre governabilidade à necessidade de rever o papel das emendas parlamentares obrigatórias. Na avaliação do presidente do PT, o volume crescente de recursos controlados pelo Legislativo compromete atribuições do Poder Executivo e altera o equilíbrio entre os poderes.

“Deveríamos acabar com as emendas impositivas”, afirmou. Em seguida, reforçou a crítica ao atual modelo de execução orçamentária: “Não podemos ter o Congresso executando R$ 62 bilhões no Orçamento. Não faz o menor sentido. Isso esvazia as atribuições do presidente da República”.

Para o coordenador da campanha de Lula, a relação entre Executivo e Legislativo passou a ser marcada por negociações em torno da liberação de recursos. “Esse modelo de governabilidade que está aí, de balcão, de negociação de liberação de emendas, é muito ruim. Não há como construir uma nova governabilidade se não houver uma reforma política-eleitoral”, disse.

Reforma eleitoral e voto em lista

Durante a entrevista, Edinho também defendeu o sistema de voto em lista partidária, embora tenha reconhecido que a proposta ainda não representa uma posição oficial do PT. Segundo ele, o atual modelo eleitoral fortalece excessivamente candidaturas individuais e enfraquece a identidade programática dos partidos.

“Eu defendo o voto em lista. Ninguém sabe o que pensa o partido A ou o partido B. A sociedade criou uma cultura de votar no indivíduo”, afirmou. O dirigente acrescentou que o Congresso Nacional passou a ser ocupado por figuras públicas com forte presença nas redes sociais, mas que, em sua visão, muitas vezes carecem de experiência em temas ligados à administração pública e às políticas de Estado.

Questionado sobre a possibilidade de a proposta integrar o programa de governo de Lula, Edinho respondeu que a decisão dependerá das negociações com partidos aliados e setores da sociedade que participarem da elaboração do documento.

Reforma do Judiciário entra no debate

Edinho confirmou que o PT está promovendo debates sobre uma possível reforma do Poder Judiciário, mas destacou que ainda não há uma posição consolidada da legenda sobre o tema.

“O que estamos fazendo é ouvindo os especialistas, pessoas que estão acompanhando esse debate. Não significa que aquilo que está sendo produzido no seminário será a posição do PT”, explicou.

Ele ressaltou que qualquer proposta precisará ser construída em diálogo com os partidos aliados e, eventualmente, contar com o aval do próprio presidente Lula.

Programa de governo e política fiscal

Ao comentar as diretrizes para a campanha presidencial de 2026, Edinho afirmou que Lula deverá enfatizar o legado de seus governos e apresentar propostas voltadas para transformações estruturais.

“O programa de governo será mais voltado para mudanças estruturantes”, afirmou. Entre os temas citados por ele estão transição energética, exploração de terras raras, segurança pública, educação e continuidade das políticas de distribuição de renda.

Sobre a política fiscal, o presidente do PT indicou que não vê espaço para mudanças nas regras atualmente em vigor. Segundo ele, o foco deve estar na melhoria da qualidade do gasto público.

“A discussão não está no arcabouço, a discussão está em como a gente qualifica e melhora o gasto público que temos hoje”, declarou.

Avaliação do Banco Central

Edinho também comentou a atuação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Ele elogiou a preparação técnica do dirigente, mas avaliou que a redução da taxa de juros poderia ter começado antes.

“Talvez ele tenha errado em não começar a queda da taxa de juros antes”, afirmou. Segundo o dirigente petista, os juros elevados afetam tanto a renda das famílias quanto a capacidade de investimento e endividamento das empresas.

Caso Master e disputa eleitoral

Ao abordar as investigações envolvendo o banco Master, Edinho afirmou que o tema já produz efeitos no cenário político e poderá ganhar relevância ao longo da campanha caso novos fatos venham à tona.

“O importante é que a sociedade comece a entender que o banco Master foi criado no governo Bolsonaro”, declarou.

O presidente do PT também afirmou que a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro será explorada no debate eleitoral. “O áudio do Flávio Bolsonaro com o Daniel Vorcaro é factual, não é hipótese. A relação que ele demonstra ali é de intimidade”, disse.

Minas Gerais preocupa PT

Sobre a sucessão estadual em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, Edinho reconheceu dificuldades para a construção de um palanque competitivo. Ele lembrou que o partido pretendia apoiar uma candidatura do senador Rodrigo Pacheco, que acabou desistindo da disputa.

O dirigente afirmou que o PT continuará dialogando com lideranças políticas locais, mas destacou que setores da legenda defendem o lançamento de uma candidatura própria no estado.

Monitoramento de redes sociais

Edinho revelou ainda que o PT ampliou significativamente sua estrutura de monitoramento digital para combater a disseminação de conteúdos falsos durante o período eleitoral.

“Estamos com um monitoramento muito forte”, afirmou. Segundo ele, o partido já ingressou com mais de 40 ações judiciais para retirada de conteúdos considerados ofensivos ou enganosos nas plataformas digitais.

Temor de interferência externa

Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi a avaliação sobre a possibilidade de influência estrangeira nas eleições brasileiras. Questionado sobre recentes movimentos do governo dos Estados Unidos, atualmente presidido por Donald Trump, Edinho afirmou que acompanha o cenário com preocupação.

“Não, espero que não haja, mas os indícios não são bons”, declarou.

Ao detalhar sua preocupação, ele mencionou precedentes de participação de empresas estrangeiras em processos eleitorais de outros países da América Latina e defendeu medidas políticas e jurídicas para impedir qualquer tipo de interferência.

“Temos que tomar medidas políticas, jurídicas, fazer denúncia. Temos que enfrentar”, concluiu.

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