BNDES financia R$ 197,6 milhões para inovação na produção de whey e lactose
Investimento em fábrica no Paraná prevê biogás, reuso de água e produção de ingredientes lácteos com padrão internacional voltado à nutrição infantil
247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 197,6 milhões para a empresa Sooro Renner Nutrição S/A ampliar e modernizar sua unidade industrial em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. O investimento será direcionado à produção de ingredientes lácteos de alta qualidade, incluindo whey protein concentrada e lactose destinadas à fabricação de fórmulas infantis e alimentos especiais.
De acordo com informações divulgadas pela Agência de Notícias do BNDES, os recursos virão das linhas BNDES Finem, BNDES Mais Inovação e do Fundo Clima. O projeto prevê também a implantação de uma estação de tratamento de efluentes com geração de biogás, capaz de produzir energia térmica e contribuir para reduzir emissões de gases de efeito estufa.
A iniciativa permitirá que a Sooro Renner se torne a primeira empresa brasileira de capital nacional a produzir whey protein concentrada (WPC) e lactose com o padrão internacional conhecido como Infant Formula Grade, voltado à nutrição infantil. Esse grau de qualidade exige controles rigorosos de pureza, rastreabilidade e processos industriais altamente monitorados.
O padrão já é utilizado por grandes multinacionais do setor alimentício, como Nestlé, Danone e Reckitt, que adotam exigências sanitárias e produtivas mais restritivas do que aquelas aplicadas à produção de alimentos convencionais.
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o apoio financeiro busca fortalecer a produção nacional de derivados lácteos de maior valor agregado. “Ao apoiar esse projeto o BNDES fomenta a modernização da produção de derivados de alto valor agregado, que é o caso da whey protein, a proteína do soro do leite, reduzindo a dependência de importações”, afirmou. Segundo ele, “esse projeto está em linha com as agendas de inovação, reindustrialização e descarbonização do governo do presidente Lula”.
Tecnologia e sustentabilidade no processamento de soro de leite
Além do avanço tecnológico na indústria de alimentos, o projeto inclui soluções ambientais relevantes. A estação de tratamento de efluentes permitirá o reaproveitamento de resíduos líquidos do complexo industrial para a produção de biogás, aumentando a eficiência energética da operação.
Outra inovação prevista é o uso de água de reuso extraída da própria matéria-prima — o soro do leite —, o que permitirá evitar o consumo de mais de 1 milhão de litros de água por dia. A medida contribui para reduzir a pressão sobre recursos hídricos e reforça a estratégia de sustentabilidade da unidade.
O sistema também possibilitará o tratamento adequado de efluentes com alta carga poluente, ao mesmo tempo em que transforma resíduos orgânicos em energia renovável. Com isso, o projeto contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa e para a transição energética no setor industrial.
O investimento deve gerar impactos econômicos relevantes para a região de Francisco Beltrão. Durante a fase de implantação, a estimativa é de criação de cerca de 250 empregos diretos e aproximadamente 1.250 vagas indiretas ligadas às obras e à cadeia produtiva associada.
A iniciativa também deverá estimular o crescimento econômico local, ampliando a atividade industrial e contribuindo para o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) regional.
O financiamento está alinhado às diretrizes da Nova Política Industrial (NIB) e ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que incentivam iniciativas de descarbonização, bioeconomia e gestão ambiental responsável. Outro ponto destacado é que a maior parte das máquinas e equipamentos utilizados na nova estação de tratamento será produzida por empresas brasileiras, fortalecendo a cadeia nacional de fornecedores industriais.


