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Alcolumbre deve barrar CPI do Banco Master no Congresso

Presidente do Senado deve ignorar pedidos de CPI do Banco Master, apesar de requerimentos terem apoio necessário para instalação

Davi Alcolumbre (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
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247 - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve impedir nesta quinta-feira (21) uma nova tentativa de instalação de uma CPI mista para investigar as fraudes envolvendo o Banco Master. 

Pelo regimento do Congresso, a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito deve ocorrer automaticamente na sessão conjunta seguinte ao momento em que o pedido atinge o apoio mínimo de 27 senadores e 171 deputados. Como há sessão convocada para esta quinta-feira para análise de vetos do presidente Lula à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, caberia a Alcolumbre ler um dos requerimentos no início da reunião, segundo a Folha de S.Paulo.

Atualmente, há dois pedidos de CPI mista protocolados com as assinaturas exigidas. Um foi articulado por parlamentares da base governista, e o outro, pela oposição. Lideranças dos dois campos devem cobrar publicamente a abertura da comissão em plenário. 

Informações de bastidores da Folha de S.Paulo apontam que integrantes de diferentes grupos políticos reconheçam que a instalação do colegiado não interessa plenamente a nenhum dos lados.

No governo, há receio de que a investigação fuja do controle político, em linha com a máxima recorrente no Congresso de que uma CPI tem início previsível, mas desfecho incerto. Já entre adversários do Planalto, a preocupação aumentou após a revelação da relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Após a divulgação, no último dia 13, de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Vorcaro, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), defendeu a investigação e atribuiu o caso ao campo bolsonarista.

“O escândalo do Banco Master tem digitais do bolsonarismo do começo ao fim. [...] Nós defendemos a CPI para investigar e chegar em todos os envolvidos”, afirmou Randolfe.

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, aposta no pedido de criação da CPI mista como forma de tentar reverter o desgaste provocado pelos áudios envolvendo Vorcaro. A estratégia é apresentar o senador como favorável a uma investigação ampla, capaz de apontar quem teria auxiliado o Banco Master nas fraudes.

Na última sessão do Congresso, realizada no fim de abril, a oposição firmou um acordo com Alcolumbre. O presidente do Senado pautou a derrubada do veto ao projeto da dosimetria, medida que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pela trama golpista com redução de penas. Em troca, parlamentares bolsonaristas não pressionaram pela abertura da CPI mista.

Agora, integrantes da oposição afirmam que devem mudar de postura e cobrar Alcolumbre em plenário. O governo também promete fazer pressão. Ainda assim, parlamentares dos dois lados avaliam que o presidente do Senado deve ignorar novamente os pedidos e assumir sozinho o desgaste público da decisão.

A resistência de Alcolumbre também é vista no Congresso como ligada a interesses políticos próprios. O senador é padrinho político de Jocildo Silva Lemos, que presidiu a Amapá Previdência, a Amprev. Lemos foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga aportes suspeitos de R$ 400 milhões no Banco Master.

Entre oposicionistas, ainda pesa a lembrança da CPI mista dos atos de 8 de Janeiro, instalada no início do governo Lula, em 2023. Na ocasião, a oposição conseguiu viabilizar o colegiado, mas o Planalto, inicialmente contrário à comissão, decidiu apoiá-la, conquistou maioria e viu a investigação acabar concentrando seu foco em bolsonaristas.

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