Ainda queremos Ciro Nogueira no palanque de Flávio Bolsonaro, diz Valdemar
Presidente do PL afirma que senador deve ter direito de defesa após operação da PF sobre o Banco Master
247 - O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta terça-feira (12) que o partido ainda pretende contar com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no palanque de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, mesmo após a Polícia Federal realizar busca e apreensão contra o parlamentar no âmbito da operação Compliance Zero.
Em entrevista ao Bastidores CNN, Valdemar defendeu que Ciro tenha direito de apresentar sua defesa antes de qualquer mudança de posição política por parte do PL. “Hoje ainda queremos [Ciro no palanque de Flávio]. Até que se prove alguma coisa contra ele. Se provarem alguma coisa contra ele, a conversa muda. Temos que dar o direito de defesa a ele”, declarou.
A operação da Polícia Federal apura suspeitas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Segundo as investigações citadas pela CNN Brasil, Ciro teria recebido “vantagens indevidas” de Vorcaro. A ofensiva da PF ocorre em meio à apuração sobre possíveis relações entre integrantes do banco e iniciativas no Congresso Nacional que poderiam beneficiar a instituição financeira.
De acordo com relatório da PF, o senador teria apresentado uma emenda para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A suspeita dos investigadores é que a proposta tenha sido elaborada com participação de representantes do Banco Master.
Ainda conforme o relatório, a investigação aponta, no campo patrimonial, indícios de recebimento de vantagens reiteradas, que teriam ocorrido por meio de pagamentos mensais, aquisição societária com deságio expressivo, custeio de despesas pessoais, uso de bens de alto valor e possível recebimento de dinheiro em espécie.
A defesa de Ciro Nogueira repudiou a operação e negou qualquer envolvimento do senador em irregularidades. Em nota, os advogados afirmaram que o parlamentar “não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”. Segundo a defesa, Ciro permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
A decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, também menciona a suspeita de que Ciro tenha recebido um envelope com sugestão de emenda parlamentar elaborada pelo Banco Master. O texto, tratado como “emenda Master”, corresponde à Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023 e buscava elevar o limite de garantia do FGC.
Segundo a CNN Brasil, Daniel Vorcaro chegou a comemorar com um interlocutor a apresentação da proposta, mencionando diretamente o nome de Ciro Nogueira. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro [sic]! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu o banqueiro à época.
A proposta era considerada relevante para o Banco Master porque a instituição usava a garantia do FGC como parte de seu modelo de negócios. Os ativos oferecidos pelo banco eram apresentados como atrativos por combinarem promessa de rendimento acima da média com a proteção do fundo aos investidores.
Mesmo com a investigação em curso, a fala de Valdemar sinaliza que o PL, por ora, não pretende afastar Ciro Nogueira da articulação política em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. A posição do dirigente, no entanto, deixa em aberto a possibilidade de revisão caso surjam provas contra o senador no decorrer das apurações.



