Pesquisa em abelhas do refúgio da Itaipu revela leveduras promissoras para indústria do etanol e da cerveja
Estudo da USP em parceria com a Itaipu identificou microrganismos resistentes a condições extremas que podem revolucionar processos industriais
247 - Uma investigação científica conduzida no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), mantido pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu, resultou em uma descoberta que pode beneficiar diretamente as indústrias de bioetanol e cervejeira. Pesquisadores encontraram leveduras selvagens com alta resistência a condições extremas comuns nesses setores, abrindo caminho para novas aplicações biotecnológicas. A informação foi divulgada pela Itaipu Binacional.
O estudo é fruto de uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Itaipu, dentro do Projeto de Conservação das Abelhas sem Ferrão do RBV. As análises começaram em outubro de 2024, a partir da coleta de pólen, própolis, mel e cera diretamente das colônias de abelhas do refúgio. A pesquisa integra o pós-doutorado de Ana Carolina Souza Ramos de Carvalho, da USP, que busca identificar microrganismos com potencial inovador para a indústria.
Dos materiais coletados, os cientistas isolaram 27 leveduras, sendo que 18 espécies passaram por testes de crescimento e fermentação em ambientes com elevadas concentrações de sais — um desafio que simula as condições enfrentadas em processos industriais de larga escala.
As leveduras, fungos essenciais na fabricação de bebidas como a cerveja, são responsáveis pela produção de álcool, dióxido de carbono e compostos que definem aroma, corpo e sabor. Enquanto variedades lager e ale dominam a indústria tradicional, as leveduras selvagens se destacam na produção de cervejas especiais, com características únicas.
“Encontramos uma levedura muito importante dentro do refúgio. Uma Saccharomyces cerevisiae selvagem. Essa levedura é usada há milhares de anos para a produção de alimentos e bebidas, além de também ser amplamente utilizada na indústria de biotecnologia e em pesquisa de base. Mas ainda sabemos pouco sobre seu nicho ecológico”, explicou Carolina. “E encontrar esse tipo de levedura no meio selvagem é um presente”, completou.
O trabalho só é possível graças aos esforços de conservação empreendidos pela Itaipu no Refúgio Biológico Bela Vista. De acordo com o gestor do projeto, Lucas Tres, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, a iniciativa nasceu para preservar as abelhas nativas e valorizar sua relevância para a polinização, a biodiversidade e a produção de alimentos.
Implantado em 2019, o projeto ampliou seu alcance ao incluir ações de educação ambiental e integração com comunidades locais. “Com o tempo, o projeto incorporou ações voltadas à formação de multiplicadores, desenvolvendo atividades educativas para visitantes, escolas, universidades e comunidades, além de promover a integração com produtores rurais e instituições de pesquisa”, destacou Tres.
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