BNDES financia expansão da São Martinho para produção de etanol de milho em Goiás
Nova planta em Quirinópolis terá capacidade para processar 635 mil toneladas de milho por ano e evitará emissão de 380 mil toneladas de CO2e
247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 625 milhões para a instalação de uma nova planta de etanol de milho da São Martinho S/A, no município de Quirinópolis (GO). Segundo informou o próprio banco, a operação contará também com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e será implementada na Unidade Boa Vista, complexo industrial que já concentra atividades da companhia na região. O projeto deve ampliar significativamente a produção, reduzir emissões de gases de efeito estufa e impulsionar o desenvolvimento econômico local.
De acordo com informações divulgadas pelo BNDES, a nova planta permitirá à empresa evitar anualmente a emissão de cerca de 380 mil toneladas de gás carbônico equivalente (CO2e). Do total aprovado, R$ 500 milhões virão do Fundo Clima, R$ 125 milhões serão financiados via Finem e R$ 102,8 milhões terão origem na Finep. A participação das instituições financeiras representa aproximadamente 53% do valor total do empreendimento, estimado em R$ 1,18 bilhão, com o restante investido pela própria São Martinho.
Além de contribuir para a agenda de descarbonização, o projeto beneficiará a indústria nacional, já que mais de um terço dos recursos serão destinados à aquisição de máquinas produzidas no Brasil. Também é esperada a ampliação das exportações de etanol, fortalecendo o superávit comercial e gerando entrada de divisas no país. Segundo a companhia, a nova estrutura terá capacidade para processar 635 mil toneladas de milho por ano e produzir 270 mil m³ de etanol, com flexibilidade para gerar tanto o tipo anidro quanto o hidratado, dependendo das condições de mercado.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o apoio à iniciativa está alinhado à política industrial do governo: “O etanol de milho representa um avanço importante na transição energética do país. Estamos fortalecendo cadeias produtivas estratégicas, promovendo a descarbonização e contribuindo para um modelo industrial de baixo carbono, com geração de emprego e inovação tecnológica”.
Felipe Vicchiato, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da São Martinho, ressaltou a eficiência operacional da nova planta: “A iniciativa terá como grande diferencial seu baixo consumo de vapor por tonelada de moagem, o que a torna única e garante maior eficiência operacional e econômica, sem necessidade de compra de biomassa externa”. Ele acrescentou que o investimento reforça a confiança no agronegócio brasileiro e promoverá geração de empregos e compra regional de matéria-prima, além de contribuir para a matriz energética limpa.
Já o presidente da Finep, Luiz Antonio Elias, afirmou que o aporte da instituição foi direcionado a componentes inovadores do projeto, como a implantação de tecnologias 4.0 no processo industrial e o desenvolvimento de tecnologia inédita no Brasil para a recuperação de óleo da vinhaça. “Esse apoio demonstra o compromisso da Finep com o processo de neoindustrialização, tendo a inovação e a sustentabilidade como pilares do desenvolvimento econômico brasileiro”, disse.
A Unidade Boa Vista já possui uma planta de etanol de milho em operação desde a safra 2023/24, também financiada pelo BNDES, além de uma unidade de etanol de cana-de-açúcar inaugurada em 2008. A São Martinho S/A, listada no Novo Mercado da B3, é referência nacional na produção de açúcar, etanol e bioenergia, e conta com quatro complexos industriais — três deles em São Paulo e um em Goiás.
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