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      Al Gore e Mercadante defendem cooperação global e investimentos contra crise climática

      Em evento no Rio, ex-vice-presidente dos EUA afirmou que o mundo ainda não compreende a dimensão do problema e destacou papel estratégico do banco

      Aloizio Mercadante e Al Gore (Foto: André Telles/BNDES Divulgação)
      Aquiles Lins avatar
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      247 - A crise climática representa “talvez o desafio mais complicado que a humanidade já enfrentou”. A afirmação é do ambientalista Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, durante o evento “Mudança Climática, Desenvolvimento Sustentável e Democracia”, realizado na terça-feira (12) na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. As informações são da Agência BNDES de Notícias.

      Ao lado do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, Gore defendeu maior cooperação multilateral e diálogo entre países para enfrentar não só a crise climática, mas também desafios globais como o comércio internacional e a escalada de conflitos. “A construção de princípios e compromissos vinculantes, com fortalecimento das instituições multilaterais, é muito melhor para a humanidade do que assistir ao retorno a uma ordem unilateral autoritária”, afirmou Mercadante.

      Gore destacou que cerca de 175 milhões de toneladas de poluentes são lançadas diariamente na atmosfera por atividades humanas, gerando efeitos como degradação dos oceanos, desertificação e migrações forçadas. Ele citou tecnologias como aço verde, cimento verde e transporte menos poluente como caminhos para reduzir emissões. Também elogiou o modelo do BNDES, que mobiliza recursos privados com mitigação de riscos. “Vocês estão fazendo o que muitos países não conseguiram, trazendo capital privado e com risco reduzido. Espero que todos entendam como essa instituição é especial”, disse.

      A conversa também abordou o papel do Brasil na COP30, prevista para 2025. Al Gore se mostrou otimista quanto ao potencial do país em liderar o debate, mas alertou para o risco de estagnação nas negociações. Mercadante ressaltou a importância estratégica de sediar o evento na Amazônia e defendeu maior mobilização dos movimentos sociais antes da conferência.

      O presidente do BNDES apresentou ações recentes do banco em resposta a crises climáticas e ambientais, como o aporte de R$ 29 bilhões para reconstrução do Rio Grande do Sul após eventos extremos e a gestão do Fundo Rio Doce, com R$ 49 bilhões para reparação do desastre de Mariana (MG). Em 2025, o Fundo Amazônia já aprovou mais de R$ 1 bilhão em projetos.

      Segundo levantamento da Bloomberg, o BNDES é o maior financiador global de energia limpa. A instituição também lidera financiamentos em biocombustíveis, energias renováveis, eletromobilidade e inovação, e agora mira investimentos para a recuperação dos oceanos, já que 14% dos corais do planeta foram perdidos.

      O diálogo incluiu temas como a regulação do mercado de créditos de carbono, o impacto do uso de inteligência artificial no consumo de energia e medidas de proteção contra tarifas impostas pelo governo Trump. Mercadante defendeu que o BNDES está pronto para apoiar empresas prejudicadas e reforçou a importância do bloco dos Brics. “Precisamos olhar para os EUA naquilo que o país tem de valores mais profundos: liberdade, compromisso ambiental e sustentabilidade. E Al Gore é um belo embaixador desses EUA de que o mundo sente saudades”, disse.

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