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Leopoldo Vieira

Jornalista profissional, pós-graduado em Administração Pública e Ciência Política. CEO da Idealpolitik. Trabalhou como analista sênior de política na Faria Lima (TradersClub) e nos ministérios do Planejamento, Secretaria de Governo e Relações Institucionais nos governos Dilma Rousseff e Lula.

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Voto de centro-direita migrou de Flávio para Lula, sugere Vox Brasil

Movimento do eleitorado de centro-direita amplia vantagem de Lula e dificulta reação de Flávio Bolsonaro nas simulações

Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert/PR I Andressa Anholete/Agência Senado )
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Um setor da centro-direita não bolsonarista, mas que pretendia votar no senador Flávio Bolsonaro, migrou diretamente para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, explicando a sincronia entre o avanço de 6,6 pontos percentuais do petista nas intenções de voto e o recuo de 5,7 pontos do bolsonarista, sem crescimento relevante de nomes alternativos, na pesquisa Vox Brasil, de acordo com especialistas que analisaram o levantamento divulgado nesta quarta-feira.

Se as eleições fossem hoje, Lula teria 46,8% contra 38,1% de Flávio no segundo turno, uma diferença de 8,7 pontos que reforça a tendência identificada pela pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada na terça-feira, que apontou vantagem de sete pontos para o presidente na esteira do envolvimento do clã Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Segundo Chico Cavalcante, autor de “Marketing Político Radical” e diretor da Vanguarda Política, Flávio deve perder cerca de mais cinco pontos nas próximas semanas, abrindo um eventual cenário de definição da disputa no primeiro turno caso o senador continue se desidratando nas intenções de voto. É o que já temem aliados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo interlocutores a par das articulações.

Para Josué Medeiros, coordenador do Observatório Político e Eleitoral (OPEL) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), não se deve descartar a substituição de Flávio na candidatura presidencial. O cientista político avalia que o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tende a ganhar força, embora dificilmente consiga se desvincular da consolidação da marca negativa de “BolsoMaster”, agora atribuída ao clã.

Nas projeções do Partido Liberal (PL), o senador Bolsonaro teria até julho para recuperar a confiança do eleitor moderado. Contudo, a pesquisa Vox Brasil sugere que parte desse público não migrou para o campo da indecisão, como acredita a cúpula da legenda, mas diretamente para o incumbente, o que limita a capacidade de recuperação da candidatura oposicionista.

Na sexta-feira, o Datafolha divulgará seu retrato do momento político. No mercado preditivo Polymarket, Lula lidera as apostas de vitória com 45%, enquanto Flávio aparece com 24% de chance.

Em tempo: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, marcou sessão do Congresso para analisar a derrubada de um veto do presidente Lula a repasses de emendas parlamentares e outros recursos federais para municípios inadimplentes, reforçando — além da necessidade de uma solução para as emendas — a percepção de risco fiscal e reputacional para o Legislativo e seu bloco dirigente, o Centrão, em um contexto de desgaste do político amapaense e do próprio Parlamento.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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