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Francisco Calmon

Combatente da ditadura desde a adolescência, prisioneiro nos cárceres da ditadura do Doi-Codi ao HCE. Advogado, administrador e analista de TI. Organizador da RBMVJ e do Canal Pororoca.  Autor e organizador de vários livros, entre eles “60 anos do golpe: gerações em luta”.

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Vida ilibada, saber jurídico, moralidade e golpismo

Crise no Judiciário, tensão no sistema financeiro e ofensiva midiática expõem fragilidades institucionais e abrem espaço para aventuras golpistas

Dias Toffoli - 12/02/2026 (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Quando colocam a moralidade no centro da pauta, é preciso se preparar, porque vem tentativa de golpe.

Assim tem registrado a história republicana brasileira.

Se os critérios de saber jurídico e vida ilibada fossem aplicados antes das indicações e nomeações de ministros para o Judiciário, a Nação poderia dormir em paz.

Lamentavelmente, não foi e não é assim. A irresponsabilidade campeou em todos os governos.

Estamos pisando em ovos.

O novelo da crise do Banco Master ainda tem linha para puxar, envolvendo setores contra setores do capital financeiro e trazendo outros atores deste sistema, ao qual a esquerda institucional aderiu em vez de combater.

A PF não é pura nem unívoca, como ingênuos aplaudem; o STF não é de caráter ilibado, como muitos pressupõem; Toffoli é o bode, fede muito e não terá dignidade para pedir aposentadoria e passar mertiolate na crise; outros ministros podem ter rabo preso e telhado de vidro e estão apelando para o corporativismo. Isso não resolve, só adia e aprofunda a crise.

O risco é que este cenário alimente propostas extremadas da direita golpista.

A Globo, sem ter uma alternativa confiável de candidatura de direita, soltará suas fúrias golpistas. Já vimos, neste carnaval, que ela não faz jornalismo; ela contamina a realidade para seus vieses entreguistas e reacionários.

A Globo sabe que a vitória de Lula é inevitável e que mais quatro anos serão suficientes para preparar uma nova vitória de um quadro progressista em 2030. E a sociedade, o que pode fazer?

Muito pouco, visto que está despolitizada para situações complexas que fogem ao binário, e os partidos de esquerda e os movimentos sociais ficaram muito atrelados ao governo e perderam aderência ao chão e autonomia para formular e agir.

Fazer o quê? Os partidos democráticos e suas federações deveriam reunir suas cúpulas para traçar cenários e diretrizes para a ação.

Não é para amanhã, é para ontem.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.