The Epstein files – da lama ao caos
A revelação dos arquivos expõe uma rede de poder, silêncio cúmplice e crimes sistematicamente varridos para debaixo do tapete pelas elites globais
Todo o horror dos arquivos Epstein liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos vai de todo tipo de crime, do sexual ao assassinato.
Curiosamente, podemos lembrar do filme De Olhos Bem Fechados (1999), de Stanley Kubrick, que retratou alguns dos rituais de sacrifício realizados pela elite, que coincidem com o que é relatado nos arquivos de Epstein. No filme, a esposa Alice admite ter fantasias sexuais com um desconhecido, e seu marido, Bill Hartford, tenta realizá-las. Ele acaba descobrindo um grupo sexual secreto e, quando consegue comparecer, percebe que tudo vai além do que imaginava. A elite sabe o que acontece, mas mantém os olhos “bem fechados” para os crimes que cometem e para manter seu estilo de vida. Também curiosamente, Kubrick morre logo após terminar o filme, atiçando a teoria de que foi assassinado por Epstein.
São muitos políticos, muitos artistas, Trump e muitas mulheres. Muitos comparam ao filme Tipos de gentileza (2024), do diretor grego Yorgos Lanthimos, que, em um dos contos, mostra um homem que vive sob o controle de seu chefe, mas, quando se recusa a cometer um assassinato, toda sua vida desaba, levando-o a tomar atitudes bizarras para recuperar seu status social. As teorias da conspiração ligam isso ao fim de carreira de Britney Spears, que teria se recusado às bizarrices e enlouquecido. A morte repentina de Michael Jackson, que, quando comprou o catálogo dos Beatles, teria incomodado essa elite, e cujo médico pessoal tratou de apagar o rei do pop. Em 1992, Sinéad O’Connor denunciou uma rede de pedofilia e teve a carreira destruída. Hoje, há uma foto de João Paulo II abençoando Epstein.
A imprensa não está escandalizada com as milhares de provas liberadas, assim como Trump, que tentou impedir ao máximo a divulgação durante meses. Se o caso Epstein não influenciar as eleições nos Estados Unidos, estaremos lidando com um presidente pedófilo, imperialista e fascista com carta branca no mundo. O ex-ministro britânico Peter Mandelson renunciou ao seu cargo no Partido Trabalhista de Keir Starmer por causa dos documentos divulgados, mas parece que a tolerância da população à pedofilia, ao tráfego sexual e a assassinatos por sacrifício não abalam a presidência americana.
Tudo estava interligado ao grupo do círculo do poder de Epstein. Há tempos, as seitas secretas são descritas como locais de decisões de poder, proteção, orgias e práticas não aceitas moralmente. Uma delas é a Bohemian Club, onde, entre seus membros, estariam desde Mark Twain, passando por Ronald Reagan, Richard Nixon, Herbert Hoover, George H. W. Bush e até Oppenheimer. Tivemos a seita de Aleister Crowley, famoso ocultista britânico que usava da magia para que seus membros chegassem ao sucesso; também tinha experiências sexuais como base. John Lennon, Ozzy, Jimmy Page e Raul Seixas, além de ter trabalhado para a inteligência britânica, flertou com o fascismo.
No final das contas, poder e sexo andam de mãos dadas como o desejo humano mais primordial. Afinal, a natureza não confiou a reprodução das espécies a um senso do dever. Instituiu o prazer. Homens e animais fazem sexo não para perpetuar a espécie, mas porque é muito bom. O sexo é a famosa imagem da cenoura pendurada na frente do burro para fazê-lo andar. Sem consciência, apenas prazer. Se a intenção do ser humano fossem ideais altos, não teríamos evoluído da ameba, que, como sabemos, faz fissão binária ou bipartição. E parece que não se diverte muito com isso.
Pela ilha de Epstein passava grande parte das decisões nos Estados Unidos e no mundo, como o caso de Bill Gates, que discutiu a “simulação de pandemia de tensão” em 2017 e rendeu à indústria farmacêutica US$ 90 bilhões em lucros com as vacinas contra a COVID-19. Muita lama e caos vão emergir dos arquivos, com milhares de provas materiais liberadas e que ainda vão ser liberadas. Agora, vamos colocar para debaixo dos panos todo esse conteúdo ou vamos ter coragem para falar sobre o assunto e até parar de apoiar Trump?
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
