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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Suspeição de Toffoli interessava a Vorcaro

E abriria a porta para o impeachment do ministro

O general Lott e o ministro Toffoli (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Estou tentando entender os últimos desdobramentos do Caso Master que se transformaram num quebra-cabeças desde o dia em que o chefe da PF, Andrei Rodrigues entregou o relatório da investigação secreta ao presidente do STF, e não à PGR, como é a praxe.

E minhas conclusões são.

Ao encontrar, nos celulares de Daniel Vorcaro, citações ao ministro Toffoli, das quais conhecemos apenas parte - que sua ex-mulher atuou na defesa do Master quando ele já era o relator; que Vorcaro sabia que ele era sócio dos irmãos nas quotas do Tayayá e que ele mandou seu cunhado, Fabiano Zettel, titular do fundo que comprou um pedaço das cotas, repassar R$20 milhões à empresa da qual Toffoli era sócio oculto - o chefe da Polícia Federal sentiu cheiro de queimado. 

Embora fossem apenas indícios, mas indícios graves, de que Toffoli poderia ser considerado, mais para a frente, suspeito na condução do processo, essa ameaça era real e no seu entender tinha que ser barrada o quanto antes. 

Se ele tivesse encaminhado o relatório explosivo à PGR, poderiam advir duas consequências: ou Toffoli seria considerado insuspeito - e tudo seguiria como dantes no quartel de Abrantes - ou suspeito para continuar como relator, o que poderia acarretar a anulação do processo. 

Ao encaminhar o relatório a Fachin, a intenção do chefe da PF não foi obter a suspeição de Toffoli e sim mostrar a gravidade dos fatos ao presidente do Supremo e conseguir uma solução intermediária, que afastasse Toffoli, mas não por suspeição. 

Tanto Fachin quanto os outros nove ministros sabiam que, se julgassem, publicamente, que Toffoli era suspeito para continuar como relator, a defesa de Daniel Vorcaro iria arguir a anulação; mas, se permitissem a sua continuidade na relatoria, a suspeição poderia vir à tona mais tarde.

Por isso foi adotada, na reunião secreta, uma fórmula que, segundo algumas versões, teria sido proposta pelo ministro Flávio Dino. Publicamente, todos os ministros iriam declarar apoio às decisões de Toffoli - como, de fato, aconteceu - e, em contrapartida, Toffoli se afastaria voluntariamente da relatoria. O que também aconteceu.

A solução foi boa para Toffoli. Além de sair do caso pela porta da frente, sem reprimendas públicas dos colegas, evitou a sua degola - julgar um caso em que é suspeito é um dos crimes de responsabilidade que justificam o impeachment. E, se nem a PGR nem o STF o consideraram suspeito, Davi Alcolumbre ganhou um ótimo pretexto para arquivar os vários pedidos de impeachment que deverá receber nos próximos dias.

Também foi boa para o STF, que tirou um peso das costas e se livrou dos ataques de que era alvo por não tomar qualquer medida contra um ministro com tantos indícios de ilegalidade.

A saída negociada só não foi boa para Vorcaro, a quem interessava a suspeição de Toffoli, para que a investigação fosse anulada e tudo voltasse à estaca zero.

Tudo o que ele e a sua defesa almejam é adiar a sua condenação para o Dia de São Nunca.          

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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