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Francisco Calmon

Combatente da ditadura desde a adolescência, prisioneiro nos cárceres da ditadura do Doi-Codi ao HCE. Advogado, administrador e analista de TI. Organizador da RBMVJ e do Canal Pororoca.  Autor e organizador de vários livros, entre eles “60 anos do golpe: gerações em luta”.

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Só faltou dar vivas ao rentismo

O capital financeiro é estéril, não produz riquezas, só suga e encarece a linha de produção e as dívidas do governo

Moedas de reais - 15/10/2010 (Foto: REUTERS/Bruno Domingos)

“O sistema financeiro nunca ganhou tanto dinheiro como ganha no nosso governo. Os empresários nunca ganharam tanto dinheiro como ganham no nosso governo”, declarou Lula nesta segunda-feira, dia 9 de fevereiro.

Esta declaração do Presidente, com certo ufanismo e satisfação, é de arrepiar os cabelos da esquerda socialista. 

Deveria se envergonhar e não exaltar o mesmo de sempre dos seus governos: falam muito em justiça social e fazem pouco.

As alíquotas do IR são vergonhosamente complacentes com os ricos, o salário-mínimo é ridículo, é inconstitucional, pois não cobre as despesas básicas elencadas pela Constituição. 

Contudo, é a estampa dos governos Lula, migalhas para os despossuídos e um tantão para os endinheirados.

Em relação e em proporção aos demais países, o rico não paga quase nada e os pobres muito, até em relação ao país mais capitalista, os EUA.

No sistema capitalista o dinheiro não dá nas árvores, é produto do capital e do trabalho; não há mágica, a equação é simples:  se o capital fica com muito é porque o trabalho fica com pouco. 

Declarações como estas que o presidente fez e amiúde faz semelhantes é uma péssima pedagogia, porque vai passando para o povão como natural e até algo para comemorar em vez de enlutar, indignar e provocar ações no sentido de combater tanta injustiça.  Em lugar disso, vai enaltecendo a sua capacidade de gestor do capitalismo.

Só falta os lulistas pelegos começarem a torcer para o seu Banco preferencial ser o primeiro do ranking dos lucros financeiros.

O capital financeiro é estéril, não produz riquezas, só suga e encarece a linha de produção e as dívidas do governo. 

O ganho foi muito mesmo, Presidente, graças aos seu pupilo, Galípolo, com o terceiro maior juros reais do mundo, atrás da Turquia e da Rússia. 

E Galípolo não está satisfeito com a autonomia, quer a independência do BC, ou seja: um Quinto Poder independente da soberania popular.  

“É muito importante cuidar do Banco Central”, afirmou Haddad, ao argumentar que a autarquia pode tanto contribuir para o desenvolvimento quanto causar prejuízos relevantes aos governos e ao país, a depender de sua atuação.

E um afirmação que sublinha o risco de um BC independente do governo.

Felizmente para o governo e infelizmente para os trabalhadores, os sindicatos em sua maioria são dominados pela elite pelega e burocrática da classe.   

É lamentável que a minha geração de combate à ditadura e da redemocratização, lembre com tanta saudade o governo de João Goulart. Porque o Jango mobilizava as massas, enquanto o atual mobiliza somente os de auditório. 

Demos a nossa juventude e a nossa vida pra isso? Não caminha nem para a social-democracia e nem para o socialismo. 

Caminha para onde? 

Para as avenidas do capitalismo sob o chão das fábricas, reforçando e reafirmando a alienação do trabalho sobre o produto que geram. 

O que devemos fazer para o Lula 4 ser um governo efetivamente de mudanças estruturais em favor do povo trabalhador?

Mesmo que, e oxalá consigamos, melhorar o Congresso, sem mobilização da sociedade continuaremos a claudicar. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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