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Oliveiros Marques

Sociólogo pela Universidade de Brasília, onde também cursou disciplinas do mestrado em Sociologia Política. Atuou por 18 anos como assessor junto ao Congresso Nacional. Publicitário e associado ao Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP), realizou dezenas de campanhas no Brasil para prefeituras, governos estaduais, Senado e casas legislativas

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Pimenta demonstra a cronologia do esquema do BolsoMaster

Segundo a linha do tempo apresentada, o crescimento do banco ocorreu em paralelo a decisões e movimentos institucionais durante o governo Bolsonaro

Pimenta demonstra a cronologia do esquema do BolsoMaster (Foto: Divulgação )

Na CPMI do INSS, o deputado Paulo Pimenta fez uma intervenção que chamou atenção não pelo tom acusatório, mas pela forma como organizou, em sequência cronológica, as relações políticas, institucionais e empresariais que ajudam a compreender a trajetória do Banco Master - instituição que nasceu como Banco Máxima e que, ao longo dos anos do governo Bolsonaro, passou a ocupar espaço relevante no mercado financeiro nacional.

O centro da fala do parlamentar gaúcho foi a apresentação de documentos, registros e conexões que mostram como diferentes personagens do cenário político e econômico se cruzam ao longo dessa história. Não se trata de afirmar a existência de crimes, mas de demonstrar que as relações existiram, foram documentadas e compõem um quadro político que merece atenção. Caberá ao relatório final da CPI indicar ao Ministério Público os eventuais crimes identificados.

Segundo a linha do tempo apresentada, o crescimento do banco ocorreu em paralelo a decisões e movimentos institucionais durante o governo Bolsonaro. Pimenta destacou a atuação de figuras estratégicas, como o então presidente do Banco Central, Campos Neto, e ministros da Previdência - entre eles Onyx Lorenzoni - que, dentro de suas atribuições, integraram um ambiente regulatório e político no qual teria sido facilitada a expansão dos negócios do banco.

A cronologia ganha ainda mais peso ao alcançar o campo político-eleitoral. Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha de Nikolas Ferreira e cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, aparece como um dos maiores doadores das campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas em 2022, reforçando a proximidade entre relações pessoais, financeiras e articulações políticas.

Outro eixo da exposição envolve operações financeiras com precatórios, uso de fundos de pensão de governos estaduais e prefeituras e aquisição de ativos de alto risco - os chamados papéis podres - elementos que, segundo o deputado, ajudam a explicar a estratégia de crescimento da instituição. Nesse contexto, a possibilidade de aquisição do Banco Master pelo BRB foi citada como um movimento que levanta questionamentos políticos e econômicos sobre os interesses em jogo.

A fala também chamou atenção para a presença de ex-integrantes do governo Bolsonaro em posições ligadas ao banco ou ao seu entorno. Ex-ministros e figuras próximas ao núcleo do poder aparecem, segundo os documentos apresentados, conectados ao grupo econômico em diferentes níveis. Entre os nomes citados estão Flávia Péres e Ibaneis Rocha, além de personagens que circularam pela chamada “cozinha do Palácio” e que hoje mantêm vínculos diretivos, pessoais e empresariais com sócios ligados ao banco.

Ao organizar esses fatos em sequência, Pimenta mostra que a história do Banco Master não pode ser analisada apenas sob a ótica financeira. Para ele, compreender o caso exige observar como política, financiamento eleitoral, relações pessoais e decisões institucionais se entrelaçam ao longo do tempo.

A força da apresentação está justamente nessa reconstrução cronológica das conexões - não como sentença, mas como narrativa sustentada por documentos e registros que indicam a existência de uma rede de relações econômicas e políticas reais, concretas e relevantes, que devem, sim, ser investigadas a fundo.

Talvez aí resida o grande alívio de setores da direita por Vorcaro ter sido permitido não depor na CPI.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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