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Mario Vitor Santos

Mario Vitor Santos é jornalista. É colunista do 247 e apresentador da TV 247. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.

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O Brasil precisa se preparar para o contra-ataque à altura da agressão

Na verdade, Trump não está nem aí para o CV ou o PCC. A intenção é evidente: pressionar o Brasil. Dar uma ajuda a Flávio Bolsonaro

Presidente Lula e Donald Trump (Foto: Ricardo Stuckert / PR / REUTERS/Kevin Lamarque)
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Como agir diante do anúncio dos Estados Unidos? Quais cenários se abrem? E se Trump, como sugere um pensador amigo, vier a bombardear barcos pesqueiros na costa do Brasil, como faz na Venezuela e na Colômbia?

Na verdade, Trump não está nem aí para o CV ou o PCC. A intenção é evidente: pressionar o Brasil. Dar uma ajuda a Flávio Bolsonaro. Agitar o ambiente na aproximação das eleições, agora que se revelam os laços do 01 com Daniel Vorcaro e que Lula conquista importante vitória com a provável revogação da jornada 6x1.

Mas nem é política a maior ambição do presidente dos Estados Unidos. Trump está de olho nas terras raras, no lítio, no nióbio, no petróleo e, claro, na Amazônia, como Lula já alertou. Logo vai tentar humilhar. Vai postar o Brasil com as cores da bandeira de lá. Flávio Bolsonaro, após conspirar com governo estrangeiro para atacar a soberania nacional, não pode ficar impune. Um traidor não deve poder ter autorização para concorrer à Presidência da República.

A resposta do Brasil tem que ser firme na defesa da soberania. Deve procurar engajar a população no lado patriótico da guerra cognitiva que vai sobrevir.

Deve traçar linhas vermelhas. Afirmar que a soberania é como as fronteiras. Inegociável.

Deve dialogar? Sim, como fez no caso da Lei Magnitsky e das tarifas, mas sem ilusões. Deve buscar as instituições internacionais: a ONU, a Celac e, principalmente, o BRICS. Todos inoperantes neste momento em que a diplomacia cada vez mais se desmoraliza como a antessala de ataques traiçoeiros. O que não impede aproximação com possíveis aliados mais confiáveis, como China, Rússia e, sem grandes expectativas, a Europa. Deve se aproximar também dos países vizinhos, em especial México e Colômbia. Ironicamente, o Brasil se vê em situação assemelhada à da agredida Venezuela, a quem havia dado as costas.

O país precisa com urgência de um plano de ação digital que atinja toda a infraestrutura nacional para que ela seja soberana de fato. Acima de tudo, precisa de um amplo programa de defesa compatível com as necessidades nacionais. Tecnologia o Brasil tem. As Forças Armadas precisam estar à disposição para defender o país contra a única ameaça real à sua integridade: os Estados Unidos.

Os comandantes das Forças já demonstraram fidelidade ao país no episódio do 8 de janeiro e na punição aos golpistas.

No cenário que se apresenta agora, a dimensão militar é especialmente relevante, desde que implementada com firmeza, segredo, inteligência e cautela.

A bélica é a única linguagem que consegue deter os imperialistas nessa selva conflagrada em que transformaram todo o planeta.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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