Lula lidera 1º turno, mas 2º turno fica indefinido
Lula lidera no 1º turno, mas rejeição alta e empates técnicos no 2º expõem cenário acirrado e abrem disputa voto a voto em 2026
O presidente Lula (PT) aparece na frente no 1º turno em todos os cenários testados pela AtlasIntel/Bloomberg, mas entra no 2º turno sem “camisa 10” garantida, com simulações no limite do empate e até uma virada em confronto específico.
Os números mostram um quadro típico de eleição plebiscitária. Lula mantém base alta e larga, só que enfrenta um ambiente de avaliação ruim e rejeição elevada, combustível para a direita tentar transformar a disputa em “mudança” em 2026.
A pesquisa divulgada nesta quarta (25/2) registra desaprovação de 51,5% e aprovação de 46,6%. Na avaliação do governo, 48,4% classificam como ruim ou péssimo, contra 42,7% que veem como ótimo ou bom.
No 1º turno, Lula oscila de 43,3% a 47,1% conforme a lista de adversários, sempre em primeiro. Em um dos cenários, por exemplo, aparece com 45,1% contra 39,5% de Flávio Bolsonaro (PL). Em outro, fica com 43,3% contra 36,2% de Tarcísio de Freitas, com Romeu Zema (Novo) em 8,5% e Ronaldo Caiado (PSD) em 5,1%.
O problema para o Planalto começa quando a régua muda para o 2º turno. Lula vence Michelle Bolsonaro por 47,5% a 44,7% e bate Jair Bolsonaro por 47,3% a 45,4%, mas empata com Flávio Bolsonaro, 46,2% a 46,3%. No duelo com Tarcísio de Freitas, fica numericamente atrás, 45,9% a 47,1%. Pesquisa-Atlas_Bloomberg-Nacion…
A trava central é a rejeição. Lula tem 48,2% de “não votaria de jeito nenhum”, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 46,4%, Jair Bolsonaro com 44,2% e Michelle com 40,8%. Num 2º turno apertado, teto e rejeição viram determinantes, e a migração de brancos, nulos e indecisos pode decidir o país.
O estudo também ajuda a entender o terreno da campanha. No comparativo por temas entre Lula e Flávio, o petista lidera em empregos, democracia, meio ambiente e política externa, enquanto o bolsonarismo cresce em criminalidade, equilíbrio fiscal e combate à corrupção. Isso desenha um 2026 em que economia do cotidiano, segurança e “arrumação do Estado” devem ser o ringue central. Pesquisa-Atlas_Bloomberg-Nacion…
Metodologia e registro importam porque balizam a leitura. O levantamento ouviu 4.986 pessoas, com recrutamento digital aleatório, margem de erro de 1 ponto percentual e 95% de confiança, com entrevistas feitas entre 19 e 24 de fevereiro de 2026. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-07600/2026.
Diante isso, o país já entra no modo 2026 com uma evidência: Lula lidera a largada, mas não tem faixa reservada no pódio. Se a direita achar um nome que una seu campo e reduza rejeição, o Planalto vira guerra de centímetros. Se Lula conseguir reverter avaliação e puxar a disputa para emprego e proteção social, segura a vantagem.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
