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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Lula fica a 1,2 ponto de superar todos os adversários no 1º turno, aponta CNT/MDA

Lula entra no meio de junho de 2026 com liderança, governo em recuperação, voto mais consolidado e chance de transformar vantagem no primeiro turno em vitória

Presidente Lula, 26 de maio de 2026 (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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Lula aparece com 41,8% no primeiro turno da pesquisa CNT/MDA de junho de 2026, contra 43,0% da soma de todos os adversários testados. A diferença de 1,2 ponto percentual acende o alerta na oposição, porque coloca o presidente na fronteira aritmética de uma vitória sem segundo turno.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre 10 e 14 de junho de 2026, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04256/2026.

No cenário estimulado do primeiro turno, Lula lidera com 41,8%. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 28,2%. Ronaldo Caiado tem 4,0%, Romeu Zema soma 2,8%, Joaquim Barbosa marca 2,3%, Renan Santos registra 2,0%, Michel Temer tem 1,9% e Augusto Cury aparece com 1,8%.

A soma dos adversários nominais chega a 43,0%. Lula, portanto, está 1,2 ponto atrás de todos eles juntos.

A conta política é mais explosiva do que a conta matemática. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa ter mais votos válidos do que todos os adversários somados. Brancos, nulos e indecisos não entram nessa conta final, mas ainda aparecem na fotografia da pesquisa.

A CNT/MDA registra 7,0% de brancos e nulos e 7,9% de indecisos. Esse bloco de 14,9% é o território onde a eleição pode ser liquidada ou empurrada para o segundo turno.

Quando se olha apenas para os votos declarados em candidatos, Lula já se aproxima da metade desse universo. O presidente tem 41,8 pontos em um total de 84,8 pontos distribuídos entre nomes testados. Isso equivale a 49,3% dos votos nominais da sondagem.

Flávio Bolsonaro segue como principal nome da oposição, mas não consegue transformar a herança bolsonarista em maioria nacional. Ele tem 28,2% no primeiro turno e perde de Lula no segundo turno por 49,3% a 36,8%.

A vantagem de Lula sobre Flávio no confronto direto é de 12,5 pontos percentuais. O número desmonta a tese de que a simples troca de Jair Bolsonaro por Flávio resolveria o problema eleitoral da direita.

A própria síntese da CNT/MDA aponta avanço de Lula e queda de Flávio Bolsonaro em relação ao levantamento anterior, de abril. O instituto também afirma que Flávio continua sendo o nome mais competitivo da oposição.

A terceira via aparece como desejo difuso, mas não como candidatura consolidada. Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Joaquim Barbosa, Renan Santos, Michel Temer e Augusto Cury, somados, chegam a 14,8% no primeiro turno.

Esse bloco é grande o bastante para impedir uma vitória imediata de Lula, mas pequeno demais para desafiar a polarização. A consequência é simples: a oposição precisa de terceira via para forçar o segundo turno, mas a terceira via ainda depende da polarização para existir.

Na espontânea, Lula também lidera. O presidente tem 34,6%, contra 19,8% de Flávio Bolsonaro. Jair Bolsonaro ainda é citado por 1,7%, Ronaldo Caiado por 1,5% e Renan Santos por 1,0%.

O dado mais relevante da espontânea está nos indecisos. Eles somam 32,4%, o que mostra que uma parcela grande do eleitorado ainda não verbalizou voto sem a apresentação de nomes.

Mesmo assim, a curva favorece Lula. No gráfico de evolução da CNT/MDA, o presidente sobe de 29% em abril para 35% em junho na espontânea. Flávio Bolsonaro vai de 17% para 20%. A diferença entre os dois cresce de 12 para 15 pontos.

No primeiro turno estimulado, Lula subiu de 39% para 42% entre abril e junho. Flávio Bolsonaro caiu de 30% para 28%. O movimento combinado explica por que a distância para a vitória no primeiro turno encolheu.

A pesquisa também mostra que o voto em Lula está mais consolidado. Entre os eleitores que declaram voto no presidente, 79% dizem que a decisão é definitiva. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 71% afirmam que a escolha é definitiva.

Nos nomes de terceira via, o voto é bem menos firme. Ronaldo Caiado tem 44% de voto definitivo, Renan Santos 37%, Joaquim Barbosa 35%, Augusto Cury 28%, Romeu Zema 23% e Michel Temer 18%.

Esse dado pesa na reta de campanha. Voto consolidado protege Lula da volatilidade. Voto frágil deixa a terceira via vulnerável ao voto útil, ao medo de desperdício e à pressão por definição entre Lula e bolsonarismo.

A rejeição mantém o país dividido. Lula é rejeitado espontaneamente por 39,0%. Flávio Bolsonaro é rejeitado por 31,5%. Jair Bolsonaro, mesmo fora do cenário principal, ainda aparece com 14,1% de rejeição espontânea.

A rejeição a Lula é maior no número isolado, mas o sobrenome Bolsonaro carrega custo político próprio. Entre os que rejeitam Flávio Bolsonaro, 92,7% dizem que não votariam nele de forma alguma. Entre os que rejeitam Lula, 91,0% afirmam a mesma coisa.

Isso significa que a rejeição dos dois pólos é dura. O eleitor que rejeita Lula ou Flávio dificilmente será convertido por propaganda comum.

A segmentação confirma o desenho da disputa. Lula lidera entre mulheres, idosos, eleitores de menor renda, pessoas com ensino fundamental, nordestinos, católicos, eleitores de esquerda e independentes.

Flávio Bolsonaro lidera entre evangélicos, eleitores de direita, no Sul e no agregado Norte/Centro-Oeste.

Entre católicos, Lula tem 47% e Flávio Bolsonaro registra 24%. Entre evangélicos, Flávio Bolsonaro chega a 41% e Lula marca 28%.

No Nordeste, Lula atinge 58% no primeiro turno estimulado. No Sul, Flávio Bolsonaro lidera com 38%, contra 30% de Lula.

Entre os independentes, Lula tem 36% e Flávio Bolsonaro aparece com 17%. Esse é o número que mais ameaça a oposição, porque eleição nacional se decide fora das torcidas organizadas.

A melhora eleitoral acompanha a avaliação do governo. A pesquisa mostra avaliação positiva de 35,3%, regular de 29,2% e negativa de 34,3% para o governo Lula. A avaliação positiva supera a negativa por 1 ponto.

Na aprovação pessoal, Lula tem 48,8% de aprovação e 46,2% de desaprovação. Em abril, a aprovação era menor e a desaprovação era maior. A virada no saldo pessoal ajuda a explicar o avanço do presidente nas simulações eleitorais.

A CNT/MDA também mediu preferência política para 2026. Lula ou um candidato apoiado por ele aparece com 36,2%. Um nome sem ligação com Lula ou Bolsonaro soma 35,8%. Alguém ligado à família Bolsonaro marca 23,3%.

Esse dado revela o impasse da oposição. Existe espaço social para um nome fora da polarização, mas esse espaço ainda não se converteu em candidato competitivo.

Na prática, a terceira via funciona como reserva de mercado contra Lula no primeiro turno, mas não como ameaça real no segundo turno.

Lula vence todos os cenários de segundo turno testados. Contra Romeu Zema, marca 48,8% a 31,6%. Contra Ronaldo Caiado, 48,4% a 32,2%. Contra Renan Santos, 49,3% a 28,0%. Contra Joaquim Barbosa, 47,5% a 28,9%. Contra Michel Temer, 49,5% a 24,9%.

O quadro geral é claro. Lula entra no meio de junho de 2026 com liderança, governo em recuperação, voto mais consolidado e chance matemática de transformar vantagem no primeiro turno em vitória.

A oposição ainda tem tempo, nomes e palanques regionais, mas enfrenta três problemas simultâneos: Flávio Bolsonaro não rompe o teto da polarização, a terceira via não tem dono e Lula está a 1,2 ponto de superar todos os adversários somados.

A eleição não está encerrada. Mas a CNT/MDA mostra que o relógio começou a correr contra a direita.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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