Lições de incivilidade
Está na hora de uma revisão total na política de ensino no Estado
Uma vergonha! Quando se imaginava que se vira de tudo no Governo do Estado de Rio, acontece o pior. Não bastasse a Secretaria de Educação (melhor chamá-la, diante dos fatos, de Secretaria de Deseducação) haver trocado o nome do colégio, de Amaro Cavalcanti para Senor Abravanel!... A medida, arbitrária, foi tomada sem consultar ninguém, em total insensibilidade com a história do lugar. Verifica-se agora, ali mesmo, o impensável: uma agressão a estudantes, por um policial militar. Naquele prédio, supunha-se que o nome de um educador, jurista, ministro do Supremo Tribunal Federal, deputado, senador e prefeito do Distrito Federal, seria insubstituível. No entanto, um burocrata, com espírito de adulação, rebatizou o estabelecimento. Nada contra o empresário das comunicações, alguém que dirigiu programas de televisão durante anos e distraiu populações. Mas, como educador?!!! Tenham paciência!... Em abaixo-assinado, a comunidade pede, enfaticamente, o retorno do nome anterior.De repente, outro protesto de alunos, desta feita contra a Direção, degenerou. Chamaram a polícia. Não se convocam fardados para reprimir estudantes. Trata-se de uma combinação que nunca deu certo. A disputa dizia respeito a um professor acusado de assédio a uma aluna, caso, segundo se conta, indevidamente abafado. Para fortalecer sua posição, os discentes pediram o comparecimento da AMES (Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas) e do DCE (Diretório Central de Estudantes da UFRJ). A Direção se recusou a lhes dar acesso. Em vez disso, acionou a PM. Logo houve as agressões. Exigindo a entrega de celulares, o tenente Ricardo Telles Noronha Júnior passou das palavras à barbárie, inclusive com agressão a uma moça, para não falar num soco desferido contra um rapaz que a defendera. Vídeos divulgados flagraram o instante. Afastaram, posteriormente, o oficial. No entanto, o mal se achava consumado. O SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro) protestou, o mesmo acontecendo com as entidades estudantis. Na verdade, pela má condução dos acontecimentos, a Secretaria Educação (Deseducação!) deveria interditar a atual direção da escola. Não seria a primeira vez que o uso da PM no enfrentamento com estudantes resultaria em tragédia.
Na verdade, uma punição para o tenente soa insignificante como consequência do que se passou. Está na hora de uma revisão total na política de ensino no Estado. Devemos reconhecer que a influência do bolsonarismo contaminou comportamentos e concepções a ponto de quebrar a espinha dorsal do antigo e sempre importante relacionamento estudantes e poder público. Estupidez e civilidade não se combinam.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
