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Joaquim de Carvalho

Colunista do 247, foi subeditor de Veja e repórter do Jornal Nacional, entre outros veículos. Ganhou os prêmios Esso (equipe, 1992), Vladimir Herzog e Jornalismo Social (revista Imprensa). E-mail: [email protected]

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Julian Lemos faz novas acusações contra Flávio Bolsonaro e prevê “outras bombas” nos próximos dias

Coordenador da campanha do pai do senador em 2018, o ex-deputado diz ter certeza de que o filme Dark Horse é apenas pretexto para arrecadar dinheiro de propina

Bolsonaro e Julian Lemos em 2018: aliados muito próximos (Foto: Reprodução)
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O ex-deputado federal Julian Lemos voltou a fazer duras críticas públicas ao senador Flávio Bolsonaro durante entrevista concedida no programa Boa Noite, da TV 247. Em tom contundente, Lemos afirmou que as recentes revelações envolvendo o parlamentar “não são surpresa” e acusou o senador de enriquecimento ilícito. Julian Lemos conhece a família Bolsonaro na intimidade, pois frequentou a casa do ex-presidente em 2018, quando foi o coordenador da campanha dele no Nordeste.

Na entrevista, Julian lembra quando e como rompeu com Bolsonaro e, agora, se revela eleitor de Lula. Ao comentar notícias relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, e à admissão de Flávio Bolsonaro de que teria visitado o empresário após sua saída da prisão, Julian Lemos ironizou a justificativa apresentada pelo senador.

“Para pedir dinheiro ele fala por telefone. Agora, para romper, ele viaja até São Paulo e vai à casa do cara”, declarou.

Durante a entrevista, o ex-aliado da família Bolsonaro afirmou que passou a adotar uma postura mais racional após o rompimento político com o grupo. Segundo ele, sua análise atual não é movida por ressentimento, mas por “realismo”.

“Hoje eu não sou visceral. Sou bem racional, muito realista. Não fico nutrindo ilusões nem ódio”, afirmou.

O momento mais explosivo da entrevista ocorreu quando Julian Lemos acusou diretamente Flávio Bolsonaro de utilizar um suposto projeto audiovisual como mecanismo para obtenção irregular de recursos.

“Esse tal financiamento de filme não existe. Isso aí é dinheiro de propina”, disse.

Segundo o ex-deputado, o senador teria “vendido o mesmo produto para muita gente” e obtido valores muito superiores aos gastos efetivamente realizados.

“Ele apurou muito dinheiro nesse filme aí. Gastou nem 10% do que dizem que gastou. Esse dinheiro é para enriquecimento ilícito mesmo”, declarou.

Lemos também afirmou esperar que a Polícia Federal investigue o caso e sugeriu que haveria rastros financeiros capazes de comprometer aliados e operadores ligados ao esquema.

Ao longo da entrevista, Julian Lemos afirmou acreditar que novas revelações envolvendo Flávio Bolsonaro podem surgir nos próximos dias.

“Eu não dou uma semana, no máximo dez dias, para outras bombas estourarem”, afirmou.

O ex-parlamentar também declarou não acreditar na viabilidade de uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, sustentando que o senador não suportaria uma longa exposição pública em campanha eleitoral.

“Se ele participasse de uma campanha para valer, não aguentava 90 dias de pré-campanha”, disse. Ele aposta que Flávio tentará se reeleger senador, para não ficar sem mandato. “Se deixar de ser parlamentar, vai preso”, declarou.

Julian Lemos também criticou o funcionamento das estruturas de poder em Brasília e afirmou que investigações teriam sido abafadas durante o governo de Jair Bolsonaro.

Segundo ele, a influência presidencial teria impedido o aprofundamento de apurações contra Flávio Bolsonaro.

“Foi a força do pai dele como presidente e uma articulação muito pesada que fez ele não ser investigado profundamente”, afirmou.

O ex-deputado ainda criticou a memória política do eleitor brasileiro.

“O povo brasileiro não tem memória. Esquece muito rápido”, declarou.

As declarações dadas na entrevista reforçam o distanciamento definitivo entre Lemos e a família Bolsonaro e ampliam a tensão política em torno de investigações e denúncias envolvendo integrantes do antigo núcleo do governo federal.

Veja o vídeo:

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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