Governantes suicidas
Políticas de Milei e Trump aprofundam crises internas e aceleram perda de influência internacional
Importante e difícil compreender como dois países tão importantes como os Estados Unidos e a Argentina têm como presidentes personagens tão esdrúxulos em seus comportamentos e declarações. Como personagens com essas características chegaram a se eleger para o posto máximo de seus países?
No caso de Javier Milei, sabe-se que ele explorou habilmente o anti-peronismo, corrente que tem muitas adesões, mas também muita rejeição. Foi somente dessa forma que um personagem que não tinha grande trajetória política conseguiu se eleger presidente do país.
Suas promessas eleitorais não foram cumpridas, em grande medida, como, por exemplo, não elevar nenhum imposto. Ele aderiu ao modelo do Estado mínimo. Segundo ele, “entre o Estado e a máfia”, afirmou preferir a máfia!
Assim, seu governo tratou de privatizar tudo o que conseguiu, assim como desarticular grande parte das entidades vinculadas à defesa dos direitos humanos e temas afins. Milei também cancelou o Ministério de Cultura, da mesma forma que várias entidades ligadas à defesa dos direitos das mulheres.
Mais recentemente, ele conseguiu fazer aprovar no Congresso uma lei que aboliria grande parte dos direitos sindicais, que, no entanto, foi rejeitada pelo Judiciário. Conseguiu aprovar também uma lei que baixa a idade de imputabilidade penal para 14 anos, com a afirmação de que “quem faz, paga, não importando a idade”.
Apesar dos resultados muito negativos no plano econômico e social de seu governo, ele conseguiu, contrariando todas as pesquisas, vencer as eleições de metade de seu mandato.
As pesquisas na Argentina indicam o favoritismo de Axel Kicillof, governador reeleito da província de Buenos Aires, a mais importante do país. Caso chegue a ganhar, terá uma duríssima tarefa de reconstituir o que tem sido destruído, até mesmo recuperar algumas empresas privatizadas, alegando má administração.
Mas o caso mais grave, até porque é a referência do próprio Javier Milei, é a presidência de Donald Trump nos Estados Unidos. Um presidente que, sob o pretexto de defender os interesses do país diante de suposta exploração por parte de outros países, por meio de tributos, colocou em prática uma série de tarifas para praticamente todos os países com os quais os EUA têm intercâmbio econômico.
Como consequência, produziu-se um enorme processo de isolamento econômico dos Estados Unidos no mundo, com as consequentes implicações políticas. Esse fechamento sobre si mesmo favoreceu ainda mais a ocupação desses espaços pela China, a ponto de até o Canadá ter assinado um acordo econômico com a China.
Paralelamente, a imagem do sistema político norte-americano como modelo de referência da democracia liberal se esvaziou plenamente, com as medidas arbitrárias cometidas por Donald Trump.
Governos como os de Trump e de Milei são verdadeiros suicídios políticos para seus países, pelas consequências negativas a curto e a longo prazo. Os Estados Unidos perdem sua hegemonia política e tecnológica internacional, enquanto a Argentina tem retrocessos enormes do ponto de vista político, econômico e social.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



