Gleisi cobra explicações após bolsonaristas voarem no Master
Gleisi mira um ponto sensível do bolsonarismo, a narrativa “anticasta” que desaba quando aparece avião, banqueiro, doador graúdo e bastidor de campanha
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), reagiu nesta terça-feira (3) a uma reportagem de O Globo que atribui a bolsonaristas o uso de um jato ligado a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, durante a campanha de 2022. Em post nas redes, a petista resumiu o recado, “Nas asas de Vorcaro”, e cobrou que o caso seja compartilhado.
A publicação cita o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e um pastor da Igreja Batista da Lagoinha em caravana pró-Jair Bolsonaro (PL) em 2022, com uma sequência de deslocamentos em aeronave privada por estados e o Distrito Federal, conforme a reportagem mencionada por Gleisi.
O pano de fundo, e o que dá peso político à provocação, é a trilha de doações eleitorais na mesma rede de relações. Reportagens já registraram que Fabiano Zettel, identificado como cunhado de Vorcaro, foi apontado como maior doador pessoa física das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) em 2022, com repasses milionários via prestação de contas eleitoral.
Gleisi mira um ponto sensível do bolsonarismo, a narrativa “anticasta” que desaba quando aparece avião, banqueiro, doador graúdo e bastidor de campanha. Ao colocar o sobrenome Vorcaro no centro, a ministra tenta colar no campo adversário o carimbo de proximidade com o escândalo do banco Master que a direita costuma negar em público.
Nos comentários, a militância escalou o tom e puxou o clássico “e o Lulinha?”, sinal de que o post também funcionou como gatilho de disputa de versões. Isso não altera a questão principal: se houve vantagem logística e política com estrutura privada de luxo em campanha, a opinião pública tem o direito de saber quem pagou a conta e com qual objetivo.
Na prática, Gleisi manda o recado: ‘o filho é de vocês’, numa referência ao escândalo do Master.
Portanto, segundo ela, o bolsonarismo pode até tentar trocar o foco, mas o rastro de avião e doação grande é do tipo que não some com meme, pede apuração séria e resposta objetiva.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



